{"id":750,"date":"2023-11-28T18:54:57","date_gmt":"2023-11-28T18:54:57","guid":{"rendered":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/?p=750"},"modified":"2023-12-19T15:15:16","modified_gmt":"2023-12-19T15:15:16","slug":"residencia-em-athis-na-favela-do-haiti-como-contar-essa-historia%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/2023\/11\/28\/residencia-em-athis-na-favela-do-haiti-como-contar-essa-historia%ef%bf%bc\/","title":{"rendered":"Resid\u00eancia em ATHIS na Favela do Haiti: Como contar essa hist\u00f3ria?"},"content":{"rendered":"\n
Processo empreendido no \u00e2mbito do curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu Habita\u00e7\u00e3o e Cidade, com apoio do CAU-SP atrav\u00e9s do Termo de Fomento n. 017\/2022, com t\u00edtulo original \u201cContra-Narrativas: Projeto de Orienta\u00e7\u00e3o Popular e Capacita\u00e7\u00e3o Profissional para ATHIS em contextos urbanos consolidados na Favela Haiti, no bairro da Vila Prudente\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n ATHIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n A lei federal 11.888\/2008 – de Assist\u00eancia T\u00e9cnica para Habita\u00e7\u00e3o de Interesse Social (ATHIS) – assegura, para fam\u00edlias com renda de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos, o direito a uma assist\u00eancia t\u00e9cnica gratuita na elabora\u00e7\u00e3o de projetos, acompanhamento e execu\u00e7\u00e3o de obras necess\u00e1rias para edifica\u00e7\u00e3o, reforma, amplia\u00e7\u00e3o e regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de suas moradias.<\/p>\n\n\n\n A regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, tamb\u00e9m uma meta nos processos de ATHIS, pressup\u00f5e planos urban\u00edsticos que ser\u00e3o sua base, com quest\u00f5es relacionadas \u00e0 pretendida constitui\u00e7\u00e3o de um habitat humano digno e ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n Atrav\u00e9s da lei de ATHIS, assim, \u00e9 promovida a melhoria de bairros populares declarados como espa\u00e7os de interesse social, onde vivem, via de regra, aquelas fam\u00edlias de poucos recursos, e \u00e9 estimulada sua qualifica\u00e7\u00e3o em conson\u00e2ncia com a legisla\u00e7\u00e3o urban\u00edstica e ambiental.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Resid\u00eancia em ATHIS, com base no curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Habita\u00e7\u00e3o e Cidade <\/strong><\/p>\n\n\n\n Especializa\u00e7\u00e3o promovida na Escola da Cidade desde 2009, o curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu<\/em> Habita\u00e7\u00e3o e Cidade foi, desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o, organizado com especial \u00eanfase na perspectiva de promover a produ\u00e7\u00e3o de planos para bairros populares, com o desenvolvimento de projetos em fun\u00e7\u00e3o de possibilidades neles identificadas, algo que hoje se refere como Urbanismo Social. <\/p>\n\n\n\n A partir de inten\u00e7\u00f5es que vinham sendo acalentadas h\u00e1 alguns anos, catalisadas pela oportunidade oferecida com o Termo de Fomento do CAU-SP n.017\/2022, o curso passou por uma reestrutura\u00e7\u00e3o no sentido de se configurar como uma resid\u00eancia baseada no treinamento em assist\u00eancia t\u00e9cnica a comunidades vulnerabilizadas, com uma presen\u00e7a mais efetiva no territ\u00f3rio por parte dos estudantes e educadores, aprofundando-se a participa\u00e7\u00e3o local nos processos de planos e projetos empreendidos.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Defini\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio a ser trabalhado<\/strong><\/p>\n\n\n\n H\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada, tem se intensificado a aproxima\u00e7\u00e3o de din\u00e2micas do curso Habita\u00e7\u00e3o e Cidade com demandas dos movimentos sociais, sobretudo os que lutam por moradia digna. Quando da inten\u00e7\u00e3o de se praticar uma assist\u00eancia t\u00e9cnica na forma de resid\u00eancia naquele curso, o Movimento de Defesa da Favela (MDF) foi o principal interlocutor. Atrav\u00e9s do MDF se deu a aproxima\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pelo curso Habita\u00e7\u00e3o e Cidade com a comunidade da Favela do Haiti (na regi\u00e3o da Vila Prudente, junto ao limite do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo com o munic\u00edpio de S\u00e3o Caetano), bairro definido para ser trabalhado na resid\u00eancia em ATHIS promovida na Escola da Cidade. Em intera\u00e7\u00e3o com o conselho de representantes daquela comunidade, desde o final de 2022, foi feito o planejamento de viv\u00eancias e oficinas de troca\/escuta na comunidade, de maneira que a perspectiva de participa\u00e7\u00e3o fosse efetiva.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Agentes presentes no territ\u00f3rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n Quando da intera\u00e7\u00e3o com a comunidade da Favela do Haiti no territ\u00f3rio, deparou-se com outros agentes: a ONG Gerando Falc\u00f5es e o Instituto Vozes da Periferia, com o programa Favela 3D, estavam atuando na comunidade e referente a ela j\u00e1 contavam com diagn\u00f3stico com dados socioecon\u00f4micos e de acesso \u00e0 infraestrutura. Passaram a atuar tamb\u00e9m no territ\u00f3rio o coletivo ECOPANC\/ Forma\u00e7\u00e3o Gaia, em intera\u00e7\u00e3o com aqueles que se dedicavam a hortas sob a linha de alta tens\u00e3o, e estudantes da Gradua\u00e7\u00e3o da Escola da Cidade, al\u00e9m do coletivo Biosaneamento (via Programa Favela 3D), com o qual foi realizada, no \u00e2mbito do curso Habita\u00e7\u00e3o e Cidade, uma oficina para compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o da rede de \u00e1guas servidas na comunidade. <\/p>\n\n\n\n Em fun\u00e7\u00e3o desses outros agentes presentes no territ\u00f3rio, a ideia era a de se trabalhar de forma associada. Trata-se de um desafio a articula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios agentes em um territ\u00f3rio – o fato de suas din\u00e2micas nem sempre serem coincidentes representou uma dificuldade na integra\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o das in\u00fameras e interessantes a\u00e7\u00f5es presentes na comunidade.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Forma\u00e7\u00e3o do arquiteto e o desafio do respeito aos saberes locais<\/strong><\/p>\n\n\n\n Frente ao resultado do processo aqui apresentado, emerge uma pretendida troca respeitosa de saberes entre t\u00e9cnicos e comunidade.<\/p>\n\n\n\n At\u00e9 que ponto os arquitetos, como t\u00e9cnicos, est\u00e3o preparados para lidar com saberes locais? E, por conta de sua forma\u00e7\u00e3o realizada em institui\u00e7\u00f5es de ensino frequentemente pouco conectadas \u00e0s comunidades, at\u00e9 que ponto consideram os conhecimentos presentes no territ\u00f3rio, pouco valorizados e, de forma geral, escamoteados?<\/p>\n\n\n\n Na forma\u00e7\u00e3o atual em arquitetura, h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o de ferramentas sofisticadas e da constru\u00e7\u00e3o com materiais de produ\u00e7\u00e3o centralizada, sem considerar formas tradicionais de construir. <\/p>\n\n\n\n Trata-se, assim, de um grande desafio compor o melhor que se tem da forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica t\u00e9cnica, a partir da qual arquitetos urbanistas s\u00e3o atualmente formados, com conhecimentos e saberes construtivos encontrados entre os moradores das comunidades, nesse caso em especial com a comunidade da Favela do Haiti.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n texto comissionado 1:<\/p>\n\n\n\n Escuta da Comunidade atrav\u00e9s de Metodologias Ativas<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n Lara Freitas – Biourbanista, Instituto Ecobairro Brasil\/ Plataforma Arquitetura e Biosfera – GTP Ecobairros<\/em><\/p>\n\n\n\n Metodologias ativas nos favorecem em rela\u00e7\u00e3o ao preparo do corpo-mente-emo\u00e7\u00e3o para o processo de ensino-aprendizagem, desenvolvem a autopercep\u00e7\u00e3o corporal\/mental\/emocional\/espiritual, exercitam a conviv\u00eancia e o acolhimento, integram o grupo, desenvolvem a “aten\u00e7\u00e3o plena”, exercitam a “presen\u00e7a”, motivam para a participa\u00e7\u00e3o e a troca, abrem os canais da percep\u00e7\u00e3o visual\/auditiva\/sensorial para abordagem dos conte\u00fados. (UMAPAZ\/SVMA. Pr\u00e1ticas Integrativas – Carta da Terra em A\u00e7\u00e3o, 2014)<\/p>\n\n\n\n A premissa b\u00e1sica adotada foi a de cria\u00e7\u00e3o de c\u00edrculos (maiores e menores) de di\u00e1logo, onde essa simbologia traz a oportunidade de compreender que a posi\u00e7\u00e3o de cada um em c\u00edrculo \u00e9 equidistante do centro \u2013 onde emerge a possibilidade de perceber o que nos une\/converge. Em termos de pr\u00e1tica, trabalha os aspectos da: presen\u00e7a, respeito, falar em 1\u00aa pessoa, express\u00e3o livre de julgamento, confidencialidade, flexibilidade. <\/p>\n\n\n\n Giannella (2009) aponta que essa abordagem desenvolve algumas capacidades: gerencia conflitos de forma criativa, alimenta processos de coopera\u00e7\u00e3o, entendendo que a (con)viv\u00eancia da unidade na diversidade; desenvolve a sensibilidade na percep\u00e7\u00e3o dos contextos, na escuta do outro e dos olhares diversos sobre determinada situa\u00e7\u00e3o; e exercita a capacidade de integrar as racionalidades sensorial, intuitiva e intelectiva. (Giannella, Valeria e Moura, Maria Suzana. Gest\u00e3o em rede e metodologias n\u00e3o convencionais para a gest\u00e3o social. Salvador: CIAGS\/UFBA, 2009. – Col. Roteiros Gest\u00e3o Social, v. 2).<\/p>\n\n\n\n C\u00edrculos de di\u00e1logo trazem a oportunidade de praticar a ESCUTA e nesse contexto trabalha-se tr\u00eas tipos de escuta: ouvir os outros, o que as pessoas presentes est\u00e3o lhe oferecendo; ouvir a si mesmo, ao que voc\u00ea sente emergindo de dentro de si mesmo; ouvir o todo emergente, a partir dos ambientes com os quais voc\u00ea est\u00e1 se conectando (Presencing Institute, U Theory, por Otto Scharmer)<\/p>\n\n\n\n Para iniciar os trabalhos e abrir os canais de percep\u00e7\u00e3o foi feita a observa\u00e7\u00e3o de atividades nos espa\u00e7os comuns da comunidade do Haiti, especialmente na pra\u00e7a, e foi feita uma adapta\u00e7\u00e3o do instrumento criado pelo Sampap\u00e9. Esta metodologia tem a qualidade de mapear as atividades de perman\u00eancia e uso que acontecem no espa\u00e7o diagnosticado, assim como a postura que tais atividades acontecem e a diversidade das pessoas. O m\u00e9todo pode ser complementado com registro fotogr\u00e1fico e qualifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e das atividades.<\/p>\n\n\n\n Para estabelecer um di\u00e1logo mais aprofundado com o territ\u00f3rio e uma aprendizagem social da comunidade do Haiti, foi utilizado o Biomapa como fio condutor das conversas e trocas entre os estudantes da P\u00f3s e moradores locais. O biomapa \u00e9 uma tecnologia social participativa que visa promover o diagn\u00f3stico socioambiental de um bairro ou munic\u00edpio objetivando compreender a realidade social, econ\u00f4mica, cultural e ambiental e com isso, direcionar interven\u00e7\u00f5es socioambientais significativas. <\/p>\n\n\n\n Para o estudo e pesquisa sobre os espa\u00e7os comuns, principalmente a pra\u00e7a da comunidade, a metodologia de Placemaking (Fazer lugares) foi a escolhida para criar o espa\u00e7o de observar e pensar coletivamente as v\u00e1rias dimens\u00f5es a partir da Mandala sociocultural desta metodologia. Nesse sentido, o placemaking demonstra que a cria\u00e7\u00e3o de lugares vai muito al\u00e9m da sua concep\u00e7\u00e3o f\u00edsica, envolvendo par\u00e2metros como sociabilidade, usos, atividades, acessos, conex\u00f5es, conforto e imagem de forma a criar v\u00ednculos entre as pessoas e o que ent\u00e3o ser\u00e1 entendido como lugar e pertencimento.<\/p>\n\n\n\n A mobilidade, especialmente a ativa em conex\u00e3o com o sistema de transporte coletivo, tamb\u00e9m foi alvo de investiga\u00e7\u00e3o participativa, principalmente para aferirmos as quest\u00f5es de g\u00eanero ligadas a esse direito fundamental e que tem enorme impacto no cotidiano das mulheres da comunidade.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n texto comissionado 2: <\/p>\n\n\n\n Escuta do Lugar<\/strong> <\/em><\/p>\n\n\n\n Jos\u00e9 Rollemberg (Zico) – Arquiteto, Professor na Escola da Cidade<\/em><\/p>\n\n\n\n Com ouvidos e olhares atentos fomos desvendando os segredos do lugar. Do alto da esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4, ficamos observando as caracter\u00edsticas do nosso territ\u00f3rio de interven\u00e7\u00e3o \u2013 trecho da plan\u00edcie do vale do rio Tamanduate\u00ed. O ch\u00e3o plano, as t\u00edmidas eleva\u00e7\u00f5es formando pequenas encostas e a presen\u00e7a marcante das infraestruturas da metr\u00f3pole – altas torres met\u00e1licas apoiando linhas de alta tens\u00e3o, o piscin\u00e3o esvaziado, o pres\u00eddio, a garagem do metr\u00f4, as extensas linhas de trem, as composi\u00e7\u00f5es em movimento, parecendo de brinquedo. <\/p>\n\n\n\n Predominando sobre tudo isso, o plano dos telhados do casario baixo, que recobre o ch\u00e3o como um imenso tecido ondulado, obediente aos caprichos do terreno. Conjunto de onde se destacam as carca\u00e7as de grandes galp\u00f5es, que escondem estocagem, produ\u00e7\u00e3o, vazios e shopping centers. <\/p>\n\n\n\n Ao longe, o skyline de cidade grande \u2013 a vizinha S\u00e3o Caetano do Sul. Para nos lembrar que estamos num dos maiores conglomerados urbanos da hist\u00f3ria do planeta.<\/p>\n\n\n\n Depois, com os p\u00e9s no ch\u00e3o, percorremos o lugar. Vimos o Tamanduate\u00ed de perto e ali, apesar de todo desrespeito com a natureza, ainda percebemos ecos de uma beleza original. Mais \u00e0 frente observamos o ribeir\u00e3o dos Meninos, trazendo suas \u00e1guas para junto das do Tamanduate\u00ed.<\/p>\n\n\n\n Subimos as encostas do vale, do outro lado do Tamanduate\u00ed e descobrimos um bairro vizinho animado, onde pr\u00e9dios de dez pavimentos conversam com sobradinhos geminados. Ruas com jovens estudantes e donas de casa, muitos carros e \u00f4nibus, pracinhas desniveladas e novos lan\u00e7amentos imobili\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n E, por fim e por come\u00e7o, a Favela do Haiti \u2013 um denso conjunto de constru\u00e7\u00f5es simples, contido num quadrado de 70 por 70 metros, como uma fortaleza no alto de pequeno promont\u00f3rio, com casas geminadas de at\u00e9 cinco andares, feitas de alvenarias sem revestimento, como paredes dessa fortaleza. Dentro dela, o cotidiano de pequeno vilarejo silencioso, onde a vida parece acontecer tranquila na pracinha central e em vielas estreitas e sombreadas \u2013 lar de pessoas que lutam e anseiam, pela seguran\u00e7a da posse de seu ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n texto comissionado 3: <\/p>\n\n\n\n Comunidade Favela do Haiti e planos para o futuro<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n Francisco Ferreira de Almeida (Chic\u00e3o) – Lideran\u00e7a junto ao MDF (Movimento de Defesa da Favela)<\/em><\/p>\n\n\n\n A Comunidade Haiti fica localizada na Rua Forte de S\u00e3o Bartolomeu, 51, Vila Prudente. \u00c9 uma ocupa\u00e7\u00e3o que ocorreu no dia 13 de abril de 2015 em uma \u00e1rea que pertence \u00e0 Prefeitura de S\u00e3o Paulo – a ocupa\u00e7\u00e3o se deu em decorr\u00eancia de duas reintegra\u00e7\u00f5es de posse ocorridas em \u00e1reas pr\u00f3ximas da atual comunidade e por fam\u00edlias de baixa renda. Os barracos foram todos constru\u00eddos em regime de mutir\u00e3o e todos do mesmo tamanho. Hoje a ocupa\u00e7\u00e3o tem aproximadamente trezentas fam\u00edlias residindo – na \u00e9poca da ocupa\u00e7\u00e3o eram apenas 72. Hoje, com mais de oito anos de exist\u00eancia e resist\u00eancia, os moradores realizaram diversas benfeitorias no local – tudo em sistema de mutir\u00e3o. Al\u00e9m das casas, a comunidade conta com um com\u00e9rcio local que atende grande parte das necessidades das fam\u00edlias. <\/p>\n\n\n\n Atualmente, com o apoio das ONGs Vozes da Periferia e Gerando Falc\u00f5es, a comunidade vive um outro momento de transforma\u00e7\u00e3o com o programa Favela 3D. <\/p>\n\n\n\n Portanto, essa comunidade est\u00e1 consolidada e totalmente integrada ao bairro: os moradores contam com a visita dos agentes de sa\u00fade, filhos nas escolas e creches e demais equipamentos p\u00fablicos. <\/p>\n\n\n\n O grande desafio \u00e9 a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, pois \u00e9 a regulariza\u00e7\u00e3o que vai dar a tranquilidade t\u00e3o desejada pelas pessoas de permanecer no local onde est\u00e3o. Nesse sentido \u00e9 que eu vejo a import\u00e2ncia de parceiros que enxergam isso com preocupa\u00e7\u00e3o, cito o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e a Escola de Cidade.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n texto comissionado 4:<\/p>\n\n\n\n Regulariza\u00e7\u00e3o – REURB-S, seguran\u00e7a na posse para as fam\u00edlias da Favela do Haiti<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n Juliana Avanci – Advogada, Centro Gaspar Garcia<\/em><\/p>\n\n\n\n O Centro Gaspar Garcia foi procurado por representantes da ocupa\u00e7\u00e3o em fevereiro de 2019. No primeiro contato, a principal preocupa\u00e7\u00e3o apresentada era o risco de uma nova reintegra\u00e7\u00e3o de posse, pois os moradores ocupavam o terreno vizinho \u00e0 atual Favela quando foram violentamente removidos do local em 2015.<\/p>\n\n\n\n O requerimento de regulariza\u00e7\u00e3o foi elaborado com as informa\u00e7\u00f5es levantadas e, na sequ\u00eancia, organizou-se uma assembleia com as fam\u00edlias. Em fun\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o coletiva de aguardar a ocupa\u00e7\u00e3o completar 5 anos, o pedido foi protocolado na Secretaria de Habita\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio em outubro de 2020 para reconhecimento da legitima\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria como instrumento de titula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n A partir da formaliza\u00e7\u00e3o do pedido de REURB-S, os moradores puderam avan\u00e7ar nas tratativas de outras demandas como o fornecimento de servi\u00e7os pelas concession\u00e1rias, sobretudo \u00e1gua e esgoto, e dialogar sobre as medidas necess\u00e1rias para efetiva\u00e7\u00e3o da regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n texto comissionado 5: <\/p>\n\n\n\n Contamina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em> <\/strong><\/p>\n\n\n\n Ariane Corr\u00eaa Barbosa – Eng. Qu\u00edmica, Especialista em Gerenciamento de \u00c1reas Contaminadas<\/em> <\/p>\n\n\n\n A contamina\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 um problema frequentemente presente em \u00e1reas urbanas, especialmente na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, embora ainda seja amplamente desconhecido pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 de extrema import\u00e2ncia abordar essa quest\u00e3o, uma vez que o conhecimento a respeito permite que a sociedade esteja ciente dos riscos invis\u00edveis aos quais est\u00e1 exposta ao habitar uma \u00e1rea contaminada. Essa conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental n\u00e3o apenas para os profissionais da constru\u00e7\u00e3o civil, que podem tomar as medidas apropriadas antes de erguer edif\u00edcios residenciais, mas tamb\u00e9m para outros setores que possam oferecer assist\u00eancia e orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. <\/p>\n\n\n\n Os estudantes do curso Habita\u00e7\u00e3o e Cidade da Escola da Cidade tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre esse tema e aprender as medidas necess\u00e1rias para apoiar os moradores da Comunidade do Haiti. Isso se torna ainda mais relevante, uma vez que a \u00e1rea circundante \u00e9 conhecida por ter abrigado antigas ind\u00fastrias e por ter sido utilizada como local de dep\u00f3sito de res\u00edduos industriais.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Plano para uma Cidade Popular Ecol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n\n\n\n Apresenta-se aqui uma vis\u00e3o para uma parte da cidade de S\u00e3o Paulo, que tem potencial para ser trabalhada como base de uma proposta de PIU (Projetos de Interven\u00e7\u00e3o Urbana), em um lugar de antigos meandros do rio e de trechos alag\u00e1veis do leito maior do Tamanduate\u00ed, em que se busca uma harmonia din\u00e2mica com os ciclos naturais. Trata-se de uma proposta de v\u00e1rzea constru\u00edda e habitada, onde h\u00e1 o conv\u00edvio das comunidades com os ciclos das \u00e1guas, com cuidados em rela\u00e7\u00e3o ao solo e ao ar, com respeito para com todos os seres, e no sentido de uma regenera\u00e7\u00e3o de ecossistemas e biomas catalisada por uma a\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o mais promotora de entropia, mas a\u00e7\u00e3o regenerativa.<\/p>\n\n\n\n Esse lugar, no entorno da Favela do Haiti, que foi ocupado ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo por muitas ind\u00fastrias, faz emergir tamb\u00e9m a perspectiva da aten\u00e7\u00e3o e rever\u00eancia quanto ao patrim\u00f4nio de galp\u00f5es industriais ali presentes, que poder\u00e3o ser reciclados para usos habitacionais e de equipamentos relacionados, algo em sintonia com a ideia de reciclagem e postura renovada face \u00e0 maneira de lidar com os recursos do planeta. <\/p>\n\n\n\n A vis\u00e3o de cidade aqui proposta se d\u00e1 a partir de uma recomposi\u00e7\u00e3o das margens do rio Tamanduate\u00ed de maneira a implantar um parque metropolitano que incorpora no seu desenho \u201csolu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza\u201d, tendo como guardi\u00f5es desse novo lugar todas as comunidades j\u00e1 estabelecidas e aquelas que poder\u00e3o ali se estabelecer. Um parque metropolitano com recomposi\u00e7\u00e3o das margens do rio Tamanduate\u00ed, que se entrela\u00e7a com \u00e1reas constru\u00eddas no seu entorno a partir da premissa de que 20% da superf\u00edcie tanto de \u00e1reas privadas como p\u00fablicas sejam de lagoas de reten\u00e7\u00e3o vegetadas. Lagoas plantadas com macr\u00f3fitas, esp\u00e9cies que promovem a fitodepura\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e, interligadas a elas, \u00e1reas vegetadas que resistem bem a uma condi\u00e7\u00e3o encharcada (40% da superf\u00edcie geral) – \u201cjardins de chuva\u201d que poder\u00e3o ampliar a capacidade das lagoas de reten\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de grandes cheias ou chuvas extremas. Nos 40% de \u00e1reas restantes, indica\u00e7\u00e3o de pisos elevados drenantes sobre planos preparados para reter \u00e1guas a serem conduzidas gradualmente aos jardins de chuva fitodepuradores, podendo ser captadas e armazenadas para serem utilizadas localmente e seu excedente lentamente ser conduzido ao Tamanduate\u00ed. O quadro passa a contar com a totalidade da superf\u00edcie da v\u00e1rzea original do rio retomando sua din\u00e2mica de reten\u00e7\u00e3o e depura\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, agora a partir de uma transforma\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica com manejo ecol\u00f3gico das \u00e1guas das chuvas, com tamb\u00e9m a possibilidade de se tratar as \u00e1guas servidas das novas unidades habitacionais em jardins alagados constru\u00eddos ou wetlands, pensados de maneira a hidratar a paisagem da v\u00e1rzea, refor\u00e7ando e recuperando a caracter\u00edstica original naquela \u00e1rea, de v\u00e1rzea larga de um rio sinuoso. \u00c9 favorecida, assim, a promo\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e fauna nativas, e a presen\u00e7a dos seres que garantem resili\u00eancia a esse pequeno ecossistema. Seres que mostram uma perspectiva real de regenera\u00e7\u00e3o, certamente um bom caminho para nossa sobreviv\u00eancia neste planeta.<\/p>\n\n\n\n Nos novos conjuntos constru\u00eddos para \u00e1reas de provis\u00e3o, h\u00e1 o est\u00edmulo a t\u00e9rreos elevados complementares aos t\u00e9rreos no r\u00e9s-do-ch\u00e3o intermitentemente encharcados, evocando uma reinterpreta\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00f5es sobre palafitas, pertinentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rzea recriada. A proposta \u00e9 que as novas constru\u00e7\u00f5es estejam entrela\u00e7adas com galp\u00f5es existentes reciclados para novos usos (residencial, equipamentos e mesmo uso industrial n\u00e3o poluente) e que seja feita uma reestrutura\u00e7\u00e3o no Shopping Center ali existente. No edif\u00edcio recomposto do Shopping Center, a ideia \u00e9 a de que o plano no seu r\u00e9s do ch\u00e3o passe a ser uma extens\u00e3o do parque metropolitano, com p\u00e1tios criados que possibilitam a ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o no edif\u00edcio atual e que garantem sua recria\u00e7\u00e3o como grande marquise sob o centro de compras utilizado pelas comunidades do entorno e tamb\u00e9m lugar de trabalho de seus moradores. Os estacionamentos subutilizados do Shopping Center, assim, passam a representar oportunidades de reinven\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os coletivos de conv\u00edvio, ecol\u00f3gicos e atraentes, para encontros e atividades que incluem todas as faixas et\u00e1rias, sempre pensados em termos de servi\u00e7os ambientais que contribuem para a resili\u00eancia e regenera\u00e7\u00e3o local e planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Plano urbano e projetos relacionados – considera\u00e7\u00f5es gerais<\/strong><\/p>\n\n\n\n O estudo urbano aqui apresentado se deu na perspectiva de o processo de ATHIS relativo \u00e0 Favela do Haiti se deparar com as v\u00e1rias escalas presentes em um projeto de melhorias para uma comunidade com precariedades. <\/p>\n\n\n\n A partir da constata\u00e7\u00e3o de ser imprescind\u00edvel verificar a exist\u00eancia de solo contaminado no terreno onde est\u00e1 a comunidade da Favela do Haiti, algo necess\u00e1rio para fazer avan\u00e7ar um processo de sua regulariza\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito do grupo de ATHIS relacionado ao curso Habita\u00e7\u00e3o e Cidade passou a se pensar em cen\u00e1rios poss\u00edveis, at\u00e9 que se fa\u00e7a a investiga\u00e7\u00e3o do solo que indicar\u00e1 objetivamente um caminho a seguir. No que diz respeito a essa inquieta\u00e7\u00e3o, sobre o terreno vizinho da Favela do Haiti, de propriedade da Sabesp, tivemos acesso a um laudo com a recomenda\u00e7\u00e3o de n\u00e3o permitir ali o uso residencial, e tamb\u00e9m nos chegaram informa\u00e7\u00f5es sobre o terreno do outro lado da rua em que se d\u00e1 o acesso \u00e0 comunidade, onde ficava uma f\u00e1brica ligada ao grupo Matarazzo, que \u00e9 um case<\/em> conhecido entre especialistas no que se refere \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por uso industrial no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n A expectativa \u00e9 a de que o material aqui apresentado seja uma ferramenta para a comunidade da Favela do Haiti, com o fundamental apoio do MDF, seguir com sua luta por uma vida digna para seus moradores, consciente das circunst\u00e2ncias e possibilidades diante das quais se encontra. <\/p>\n\n\n\n Dentre os cen\u00e1rios poss\u00edveis face \u00e0s circunst\u00e2ncias aqui referidas, as seguintes propostas foram desenvolvidas:<\/p>\n\n\n\n Proposta 1<\/strong> – Em uma vis\u00e3o entendida como otimista, a partir da hip\u00f3tese de o terreno n\u00e3o ter uma contamina\u00e7\u00e3o que inviabilize a perman\u00eancia da comunidade, o projeto aponta para algumas remo\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o da adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 faixa de seguran\u00e7a da linha de alta tens\u00e3o ali existente, algo no sentido de possibilitar a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria (a comunidade est\u00e1 em um terreno p\u00fablico que, caso n\u00e3o seja contaminado, \u00e9 \u201cregulariz\u00e1vel\u201d), e algumas remo\u00e7\u00f5es para melhoria das condi\u00e7\u00f5es de salubridade na comunidade. <\/p>\n\n\n\n Segundo o memorial apresentado pelos estudantes, a proposta defende:<\/p>\n\n\n\n \u201c(i) Demoli\u00e7\u00e3o de algumas edifica\u00e7\u00f5es da favela do Haiti para a constru\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos sanit\u00e1rios necess\u00e1rios e, ao mesmo tempo, acabar com situa\u00e7\u00f5es insalubres atrav\u00e9s de melhor ventila\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o natural; (ii) Aproveitamento do material de demoli\u00e7\u00e3o das casas para funda\u00e7\u00e3o dos novos edif\u00edcios e m\u00f3dulos sanit\u00e1rios; (iii) Paisagismo com jardins e dispositivos para manejo integrado das \u00e1guas pluviais; (iv) Rua de acesso \u00e0 comunidade recomposta como via compartilhada e de conex\u00e3o com parque no antigo terreno da f\u00e1brica Matarazzo\u201d<\/p>\n\n\n\n estudantes envolvidos na realiza\u00e7\u00e3o da proposta 1: J\u00e9ssica Casteluci Labrego, Fabiana Borges de Freitas, Clauthion Gomide Passos, Carolina Costa Camargos<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Proposta 2<\/strong> – Trabalha com a ideia de uma remo\u00e7\u00e3o total, mas gradual, com reassentamento interno (das fam\u00edlias no pr\u00f3prio terreno), depois de um tratamento do solo local para impedir efeitos da contamina\u00e7\u00e3o. Tanto a proposta 1 como a proposta 2 contam com a possibilidade de se utilizar o terreno vizinho \u00e0 comunidade atual, marcado como ZEIS pela legisla\u00e7\u00e3o, pertencente atualmente \u00e0 Sabesp, para a constru\u00e7\u00e3o de \u00e1rea de provis\u00e3o para receber fam\u00edlias removidas, algo que pressup\u00f5e o tratamento do solo para permitir o uso habitacional (em fun\u00e7\u00e3o do laudo acima mencionado). <\/p>\n\n\n\n Segundo o memorial apresentado pelos estudantes, a proposta \u00e9 de um \u201cnovo conjunto residencial aproveitando o mesmo local da Favela do Haiti, incorporando o terreno vizinho, pertencente \u00e0 Sabesp. Para viabilizar o empreendimento, considerou-se a constru\u00e7\u00e3o faseada e transfer\u00eancia gradual das fam\u00edlias para as novas unidades habitacionais. Foram consideradas as \u00e1reas de com\u00e9rcio local praticado pelos habitantes\u201d. <\/p>\n\n\n\n estudantes envolvidos na realiza\u00e7\u00e3o da proposta 2: Uilian da Luz Marconato, Vin\u00edcius Mamelli Cossovan, Pedro Lacerda Madureira Feriotti, Rebeca Rodrigues Batista, Kau\u00ea Caetano Lopes Leker, Ana Laura Oliveira Costa, Karen Graziely dos Santos Prado, Amanda Silva Bastos<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Propostas 3, 4 e 5 – As tr\u00eas propostas trazem projetos para outros terrenos nos arredores da Favela do Haiti, marcados como ZEIS (ou pass\u00edveis de serem pleiteados como tal) pela legisla\u00e7\u00e3o vigente, articulados no plano geral por uma vis\u00e3o poss\u00edvel para aquela parte da cidade, ressignificada como uma “Cidade Popular Ecol\u00f3gica”. No seu conjunto, as cinco propostas, ao lidarem com um trecho importante da v\u00e1rzea do rio Tamanduate\u00ed, apontam para a constitui\u00e7\u00e3o de uma grande \u00e1rea de reassentamento naquela parte da cidade, apoio para que se possam regularizar as comunidades do entorno (al\u00e9m da Favela do Haiti, outras favelas como Ilha das Cobras, do Peu e a da Vila Prudente, mais antiga favela que subsiste na cidade de S\u00e3o Paulo – sua ocupa\u00e7\u00e3o remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1940, e tamb\u00e9m do Complexo de Heli\u00f3polis e de comunidades junto ao c\u00f3rrego dos Meninos) e, eventualmente, mesmo de comunidades em \u00e1reas mais afastadas que ali tamb\u00e9m poderiam contar com \u00e1reas de provis\u00e3o para acolhimento de fam\u00edlias removidas, em uma gest\u00e3o compartilhada entre movimentos por moradia (articulados com o MDF) e poder p\u00fablico. <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Proposta 3<\/strong> (Memorial apresentado pelos estudantes)<\/p>\n\n\n\n Considerando a prov\u00e1vel contamina\u00e7\u00e3o do solo do terreno no Haiti, a linha de alta tens\u00e3o e a prov\u00e1vel instabilidade construtiva das edifica\u00e7\u00f5es, a proposta consiste no reassentamento das fam\u00edlias no terreno marcado como ZEIS ao lado da esta\u00e7\u00e3o Tamanduate\u00ed. Em fun\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rzea da regi\u00e3o, o t\u00e9rreo do conjunto proposto foi projetado para ser predominantemente perme\u00e1vel, com a presen\u00e7a de lagos e \u00e1gua nos espa\u00e7os p\u00fablicos, com \u00e1reas comerciais e uso misto. Quanto \u00e0s unidades habitacionais acomodou-se o maior n\u00famero de fam\u00edlias poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n estudantes envolvidos na realiza\u00e7\u00e3o da proposta 3: Bruna Medeiros de P\u00e1dua, Caroline Santana Luiz, Cassia Cristina Aielo Matsuuno, Dione Deise Silva Soares, Elane Lopes Silva, Pedro Flosi Trama, Renata Neres Ribeiro de Lima, Vict\u00f3ria Guedes Dias<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Proposta 4<\/strong> (Memorial apresentado pelos estudantes)<\/p>\n\n\n\n Implanta\u00e7\u00e3o com as premissas de respeitar a declividade do terreno, o caminho das \u00e1guas e uma divis\u00e3o em sub\u00e1reas que ladeiam uma \u00e1rea de frui\u00e7\u00e3o p\u00fablica central. Nas sub\u00e1reas est\u00e3o os edif\u00edcios de uso residencial, com t\u00e9rreo de uso comum para os moradores, formando pequenos n\u00facleos. Nos limites desses n\u00facleos \u2013 e, ao mesmo tempo, da frui\u00e7\u00e3o central \u2013 ficam edif\u00edcios de uso residencial com o t\u00e9rreo ativo (com com\u00e9rcio e servi\u00e7os). A frui\u00e7\u00e3o central funciona como um grande retentor e depurador de \u00e1guas pluviais e servidas. Atrav\u00e9s de seus pequenos canais e lagos vegetados, retarda-se a chegada das \u00e1guas no Rio Tamanduate\u00ed.<\/p>\n\n\n\n estudantes envolvidos na realiza\u00e7\u00e3o da proposta 4: Ana Lu\u00edsa Ciccarelli Baccaro, Camila Brezan Shiraiva, Cynthia Daiane Diniz, D\u00e9bora Neri dos Santos, Pamela Coupey, Williane Pereira da Silva<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Proposta 5<\/strong> (Memorial apresentado pelos estudantes)<\/p>\n\n\n\n A partir do estudo das fragilidades e potencialidades da \u00e1rea, o projeto visa trazer melhorias e infraestrutura para a regi\u00e3o da Vila Prudente. O per\u00edmetro demarcado foi dividido em 4 partes, sendo elas: (i) Habita\u00e7\u00e3o: 346 unidades que atendem os moradores da Comunidade Haiti, e possibilitam atender moradores das comunidades vizinhas. As unidades t\u00eam cerca de 45 m2, os edif\u00edcios contam com elevadores, vagas e com\u00e9rcio; (ii) conex\u00e3o com parque linear p\u00fablico: melhorias ambientais e um novo espa\u00e7o de conviv\u00eancia; (iii) Educa\u00e7\u00e3o: considerando a demanda proposta; (iv) Cultura: com o restauro de galp\u00e3o existente (v) Esporte: utilizando \u00e1rea que j\u00e1 tem este destino.<\/p>\n\n\n\n estudantes envolvidos na realiza\u00e7\u00e3o da proposta 5: Raphaela Rodrigues, Debora Tellini Carpentieri, Marina Resende Gaia de Souza, Ariadnes Cardoso, Miguel Vieira, Josiane Retzlaff<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Textos escritos pelos coordenadores do curso Habita\u00e7\u00e3o e Cidade, exceto pelos textos comissionados, com indica\u00e7\u00e3o de autoria e textos produzidos pelos estudantes (na linha do tempo, na descri\u00e7\u00e3o das oficinas e memoriais das propostas).<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Habita\u00e7\u00e3o e Cidade<\/strong> – edi\u00e7\u00e3o 2023<\/strong><\/p>\n\n\n\n Coordena\u00e7\u00e3o<\/strong> <\/p>\n\n\n\n Luis Octavio de Faria Silva (Li); Maria Teresa Fedeli; Rafael Abelini; Ruben Otero<\/p>\n\n\n\n Apoio \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n Antonio Balbi; Beatrice Perracini Padovan; Laura Pappalardo; Maria Fernanda Godoy; Raiza Barrera Vega<\/p>\n\n\n\n Assessoria Jur\u00eddica<\/strong><\/p>\n\n\n\n Maria Aparecida Correia da Silva, representante do escrit\u00f3rio Correia & Vieira de Carvalho Sociedade de Advogados<\/p>\n\n\n\n Apoio Contabilidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n Luana Rodrigues de Torres; Tamara Pereira<\/p>\n\n\n\n Apoio Administrativo<\/strong><\/p>\n\n\n\n Jairo Bissolato<\/p>\n\n\n\n Professores\/ Educadores\/ Facilitadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n Alfredo Brillembourg (Urban Think-Tank); Ana Beatriz Giovani (Sem Muros Arquitetura Integrada – escrit\u00f3rio colaborativo); An\u00e1lia Amorim; Annelise Picolo Agostinho (Bio saneamento); Ariane Corr\u00eaa Barbosa; Bia Goll; Bruno O. (JAMAC); Candel\u00e1ria Reyes; Coletivo ECOPANC\/ Forma\u00e7\u00e3o GAIA; Daniela Ramalho; Elias Fonseca Damascena (Instituto Favela da Paz); Elisabete Fran\u00e7a; Fabio Miranda (Instituto Favela da Paz); Fernando Nigro; Flavia Burkatovsky (Sem Muros Arquitetura Integrada – escrit\u00f3rio colaborativo); Heliana Mettig; Isabel Cabral; Izabel Gomes (JAMAC); Jorge Jauregui; Jos\u00e9 Guilherme Schutzer; Jos\u00e9 Rollemberg (Zico); Juliana Avanci (Centro Gaspar Garcia); Lara Freitas; Leticia Sabino (Caminhabilidade\/Sampap\u00e9); Liza Andrade; Luis Mauro Freire; Luiz Roberto Fazio (Bio saneamento); Marcos Boldarini; Maria Teresa Diniz; Mario Biselli; Noelia Monteiro; Pedro Telecki; Pi Cauby (Conex\u00e3o Cultural); R\u00e1dio Poste; Roberto Santos; Valdemir Rosa; Vanessa Padi\u00e1; Vinicius Andrade; Violeta Kubrusly<\/p>\n\n\n\n estudantes\/<\/strong> residentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n Amanda Silva Bastos; Ana Clara Gurgel Santos; Ana Laura Oliveira Costa; Ana Lu\u00edsa Ciccarelli Baccaro; Andr\u00e9 Mendon\u00e7a; Garcia; Andreia da Silva Santos; Ariadnes Alexandrina Cardoso; Bianca Leandro dos Santos; Bruna Medeiros de P\u00e1dua; Bruno Jos\u00e9 Albuquerque A. Barbosa; Camila Brezan Shiraiva; Carolina Costa Camargos; Carolina Fran\u00e7a Netto Chiodi; Caroline Santana Luiz; Cassia Cristina Aiello Matsuno; Clauthion Gomide Passos; Cynthia Daiane Diniz; Daniel Francisco de Melo Moreira; D\u00e9bora Neri dos Santos; D\u00e9bora Tellini Carpentieri; Dione Deise Silva Soares; Elane Lopes Silva; Fabiana Borges de Freitas; J\u00e9ssica Casteluci Labrego; Josiane Retzlaff Aguiar; Juliana Souza Santos; Karen Graziely dos Santos Prado; Kau\u00ea Caetano Lopes Leker; Leticia Macellari; Marina Resende Gaia de Souza; Miguel \u00c2ngelo Da Silva Vieira; Pamela Batista Coupey Alves; Pedro Flosi Trama; Pedro Lacerda Madureira Feriotti; Raphaela Rodrigues Pereira; Rebeca Rodrigues Batista; Renata Neres Ribeiro de Lima; Roberta Rissardi Todesco; Silas S\u00e9rgio De Assis; Uilian Da Luz Marconato; Victoria Guedes Dias; Vinicius Mamelli Cossovan; Williane Pereira da Silva<\/p>\n\n\n\n Apoio comunit\u00e1rio na Favela do Haiti<\/strong><\/p>\n\n\n\n Ana L\u00facia Ten\u00f3rio Cavalcante (N\u00ea do Jo\u00e3ozinho); Ana Paula Barreira Moreno; Benedito Limeira da Silva; Diually Freitas; Eliana Coutinho; Francisca Izamar G da Silva (D. Iza); Gleice dos Santos; Lucas dos Santos Assun\u00e7\u00e3o; Maria Lu\u00edsa dos Santos Alves; Neusilene Maria de Jesus Dias; Vanderson Oliveira Dias (Dudu)<\/p>\n\n\n\n MDF (Movimento de Defesa da Favela)<\/strong><\/p>\n\n\n\n Andr\u00e9 Delfino da Silva; Francisco Ferreira de Almeida (Chic\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n Agradecimento especial ao Padre Assis (Ivaldino de Assis Mendes Tavares)<\/strong><\/p>\n\n\n\n Professores e estudantes da Gradua\u00e7\u00e3o da Escola da Cidade, relacionados ao Exerc\u00edcio \u00danico, em 2023-1, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Roberto Pomp\u00e9ia, Noelia Monteiro, Pablo Here\u00f1u, Valdemir Rosa, Carlos Ferrata<\/p>\n\n\n\n Ilustra\u00e7\u00e3o capa do post: <\/strong>Mar\u00edlia Marz<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Processo empreendido no \u00e2mbito do curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu Habita\u00e7\u00e3o e Cidade, com apoio do CAU-SP atrav\u00e9s do Termo de Fomento n. 017\/2022, com t\u00edtulo original \u201cContra-Narrativas: Projeto de Orienta\u00e7\u00e3o Popular e Capacita\u00e7\u00e3o Profissional para ATHIS em contextos urbanos consolidados na Favela Haiti, no bairro da Vila Prudente\u201d ATHIS A lei federal 11.888\/2008 – […]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":752,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[4,10],"tags":[],"class_list":["post-750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-apoios-aos-movimentos-de-moradia","category-gtp4-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=750"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/750\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":889,"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/750\/revisions\/889"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/media\/752"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/arquiteturabiosfera.escoladacidade.edu.br\/modosdehabitar\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}
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a \u201cOcupa\u00e7\u00e3o da Rua Vemag\u201d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

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