ações passadas | arquitetura e biosfera / habita cidade Wed, 18 Sep 2024 15:12:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 /wp-content/uploads/2020/12/ico.svg ações passadas | arquitetura e biosfera / 32 32 Disciplina eletiva “O que tem de natureza na cidade; o que tem de cidade na natureza?” /disciplina-eletiva-o-que-tem-de-natureza-na-cidade-o-que-tem-de-cidade-na-natureza/ /disciplina-eletiva-o-que-tem-de-natureza-na-cidade-o-que-tem-de-cidade-na-natureza/#respond Wed, 18 Aug 2021 22:56:28 +0000 /?p=1288 No primeiro semestre de 2021, conduzimos uma disciplina eletiva na graduação. A intenção foi abrir as frentes de estudos sobre Sociedade e Natureza e como as diferentes acepções desta última conduzem a distintas relações com a cidade e o ambiente construído. Uma vez que os estudos sobre a cidade numa faculdade de arquitetura têm ampla bibliografia abordadas em inúmeras disciplinas, privilegiou-se a discussão sobre naturezas, no plural.

Assim, a disciplina foi organizada em três módulos enfocando cada um um tipo de relação com a natureza: módulo 1 a natureza construída, na qual concebe-se natureza como artifício, produzida pelas sociedades indígenas e nativas, que sob os olhos do branco, pareciam “naturais”; módulo 2 a natureza como recurso, na qual a natureza se apresenta como meio de sobrevivência das sociedades tradicionais e dos saberes de uso sustentado da natureza; e o módulo 3 a natureza como commoditie, na qual a separação da natureza da sociedade urbano-industrial produz um entendimento de exploração da natureza como mercadoria, indicando problemas sociais nessa ruptura.

Os trabalhos individuais dos participantes da disciplina exploraram de forma livre as discussões ensejadas pelos textos e os debates que cada GTP convidado promoveu ao longo do semestre. O GTP Arquiteturas Tradicionais, abordou a retomada Guarani Mbya por seu modo de vida tradicional, denominado Nhandereko, na capital paulista. Já o GTP Arquiteturas Anfíbias apresentou as ações desenvolvidas no Marajó, a relação entre arquitetura, modo de vida e bioma, bem como as dificuldades de crescimento urbano e integração regional foram evidenciadas. Por fim, o trabalho do GTP Lupa de apoio aos movimentos de moradia de atender as condições de segurança dos imóveis aceitou o desafio de refletir sobre a relação das lutas sociais com a importância da justiça ambiental.

Destacamos os trabalhos realizados: “Ciranda Luiz Beltrame: a produção do espaço agroecológico” parte da pesquisa de TCC de Flora Atilano. “Civilização praieira: um ensaio para novas arquiteturas” de Luigi Zorzella Franco. “Que uso da natureza se esconde em nossas cidades: um exemplo de Paris” de Jérôme Andrade. “Relação da cidade com a natureza a partir do rio e do cocô” de Jorge Forjaz. “Cinza das horas” de Júlia Queiroz.

O GE – SoNatas inicia assim seus primeiros estudos e reflexões.

A maioria das aulas foi gravada e está no Canal da Plataforma Arquitetura e Biosfera no Youtube:

]]>
/disciplina-eletiva-o-que-tem-de-natureza-na-cidade-o-que-tem-de-cidade-na-natureza/feed/ 0
Novos Caminhos para a Habitação Social – reflexões sobre evento ocorrido em 2019 /novos-caminhos-para-a-habitacao-social-reflexoes-sobre-evento-ocorrido-em-2019/ /novos-caminhos-para-a-habitacao-social-reflexoes-sobre-evento-ocorrido-em-2019/#respond Thu, 07 May 2020 15:32:23 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=460 Novos Caminhos para a Habitação Social

Luis Octavio de Faria e Silva

Ruben Otero

Maria Teresa Fedeli

 

Reflexões sobre as comemorações dos dez anos do curso de Pós-graduação lato sensu Habitação e Cidade, da Escola da Cidade, em São Paulo, realizadas em Março de 2019, que contaram com uma exposição e mesas de debate. Material a partir da edição da gravação dessas mesas é aqui apresentado, de maneira que se possa apreciar princípios e propósitos com os quais os alunos daquele curso interagem e refletir sobre essa fundamental questão em nosso país e na condição contemporânea: Habitação e sua relação com a construção da Cidade.

 

“Apesar de algumas centenas de milhares de seres humanos, amontoados num pequeno espaço, se esforçarem por mutilar a terra sobre a qual viviam; apesar de esmagarem o solo com pedras, a fim que nada nele pudesse germinar; apesar de até destruírem o menor sinal de vegetação, arrancando a erva e derrubando as árvores; apesar de encherem a atmosfera com o fumo do petróleo e do carvão: a primavera, mesmo na cidade, era ainda a primavera.” (Leon Tolstoi Ressurreição, 1899 primeira parte, capítulo 1)

Notável a capacidade, por parte de Leon Tolstoi, de compreender o mundo em convulsão nas bordas daquela que podemos nos referir como erupção da experiência moderna na sua fase correspondente ao século XIX. Sua maneira de descrever o que tinha diante de si surge, em seus romances oitocentistas, com acuidade e poesia. Nesse sentido, primavera, no trecho aqui reproduzido, se refere à estação do ano, mas também ao renascimento que representa e, de maneira metafórica, às possibilidades essenciais que se renovam. Mesmo na cidade devastadora, implacável e cruel, há esperança de uma primavera. Tomando de empréstimo as palavras do escritor russo, perguntamo-nos se, de joelhos diante da desigualdade, da falta de segurança pública e de bom senso, da dessacralização e mercantilização da vida e da Terra, da ausência de cuidado, como nos lembra Leonardo Boff, nossas cidades atuais poderão ter uma primavera em que o melhor da possibilidade que representam desabroche.

Tendo a reflexão acima como epígrafe e com o objetivo de revolver e atualizar possibilidades para as nossas Cidades e questões quanto a uma parte intrínseca delas – a Habitação, uma exposição foi aberta na Escola da Cidade no dia 12 de Março de 2019 e contou com mesas de debates no dia 12 (na inauguração da exposição), e nos dias subsequentes (13 e 14), com convidados que são referência, dentre eles professores contumazes no curso de Pós-graduação Habitação e Cidade, cujos dez anos de existência se celebravam.

A exposição (Fig.1) ficou aberta até o dia 29 de março, com uma pequena amostra de projetos realizados por alunos do curso, durante seus períodos de atelier, e buscava promover um novo olhar sobre possibilidades na transformação de nossas cidades, a partir da construção da Habitação, em um sentido ampliado (ou pleno) de moradia associada a infraestrutura e equipamentos.

Fig. 1 Foto da exposição realizada Na Escola da Cidade, a propósito dos dez anos do curso de Pós-graduação lato sensu Habitação e Cidade 

A exposição realizada na Escola da Cidade, acompanhada de mesas de debate, procurou mostrar que continuamente se renova a esperança de uma primavera para nossas cidades. No embalo de falas e desenhos daqueles que são convidados a expor convicções quanto à produção do Habitat humano entre nós (legados e intuições de caminhos), observa-se a paisagem e a transformação antrópica nela realizada, A partir dessa observação, investigações propositivas foram empreendidas, sempre no sentido de identificar maneiras apropriadas de cuidar de nossas realidades urbanas.

Ao se rever a produção dos períodos de atelier do curso Habitação e Cidade, entendeu-se que se poderia agrupar aquelas prospecções nas seguintes chaves: requalificação das áreas centrais; intervenções em áreas vulneráveis; consolidação das periferias; criação de tecido urbano; reprogramação da relação com as águas. Os projetos que foram apresentados na exposição são exemplos de investigações realizadas por alunos daquele curso quanto a essas chaves, que foram assim entendidas, mas que se interseccionam, não são estanques. Tratou-se de uma pequena amostra de visões – um lampejo de possibilidades que brotaram ao se debruçar sobre diferentes paisagens, entendidas como sítio (geomorfologia, hidrologia e ecossistemas), que maquetes expostas buscaram insinuar, associado a significações e, portanto, a uma dimensão cultural, da qual certos aspectos poderão ser apreendidos através de tipos de malha urbana e de ocupação perceptíveis nas situações apresentadas. Os desenhos prospectivos, por sua vez, falam de intuições, numa espécie de arqueologia de possibilidades latentes (Figs 2 a 5).

Fig. 2 Proposta para o Morro do S, realizada pelos alunos German Biglia/Nathalie Artaxo/Martin Benevides

Fig. 3 Proposta para o Jardim Paraná, realizada pelos alunos Alline Nunes/Carolina França/Gabriela Teixeira/

José Roberto Tricoli/Mariana Terra/Raphael Carneiro

Fig. 4 Proposta para o Jardim Colonial, realizada pelos alunos Fernando Soler/Guilherme Dias/Joseph Pons/Ricardo Stern

Fig. 5 Proposta para Casavalle, em Montevidéu, realizada por alunos da Universidad de la Republica, Uruguai,

em paralelo ao atelier do curso Habitação e Cidade na Escola da Cidade,

com enunciado de exercício equivalente e professores que participaram

tanto no atelier em São Paulo como em  Montevidéu

 

Dez anos de curso, dez projetos em cinco chaves: é o que a exposição apresentou para fomentar a reflexão sobre uma desejada primavera quanto à nossa condição urbana, necessariamente fruto de uma civilidade em nossas paragens gestada e que buscamos discernir. É nesse sentido o apelo a pensar em “Novos Caminhos para a Habitação Social”, que se entende como a busca por um Habitat humano em harmonia com ciclos naturais e facilitador de relações comunitárias.   

As três mesas de debate, com homenagem à arquiteta Elisabete França, patrona do curso que completava então uma década de atividades, e confraternização com alunos e professores, fizeram parte da comemoração e também compuseram um seminário que deu início à 11ª edição do curso Habitação e Cidade (2019). Para as mesas, foram propostos como grandes temas: “Movimentos Sociais e Cidade Inclusiva” (na mesa do dia 12), com Edilson Mineiro e Nabil Bonduki como participantes e Ângela Amaral como moderadora; “Políticas Públicas de Habitação” (mesa do dia 13), com Elisabete França e Sérgio Magalhães, moderação de Violeta Kubrusly; ”Projeto de Arquitetura de Habitação Social” com Jorge Jauregui e Marcos Boldarini tendo Maria Teresa Diniz como moderadora.

 

Fig. 6 Edilson Mineiro e Nabil Bonduki, em mesa mediada pela arquiteta Ângela Amaral

 

Edilson Mineiro, em sua fala na primeira mesa (dia 12), enfatizou o valor da participação na produção do Habitat humano e no aprofundamento da Democracia, além de conclamar a formação do técnico com responsabilidade social. São trechos de sua fala:    

 

(…) reconhecer que na construção da cidade, na construção das Políticas Habitacionais, tem que haver o protagonismo dos trabalhadores e das trabalhadoras, das pessoas que vão morar: dos sem teto (no caso dos movimentos de moradia), do favelado (no caso da urbanização de favelas), [que] a dimensão da autonomia dos trabalhadores, do protagonismo das pessoas no processo de construção as cidades, é um valor fundamental (…) para pensar um projeto para o futuro, a despeito de muitas vezes a gente encontrar muita dificuldade para viabilizar o reconhecimento desse protagonismo ou (…) [do] direito da participação.

 

A questão da participação – das pessoas se apropriarem do Estado para [o] tornarem (…) efetivamente público, continua na ordem do dia. Isso não é só uma questão de lógica, não é só um desejo da democracia radical: é uma tática com um efeito prático muito importante. Como exemplo concreto: foi com muita mobilização, com muita participação, que se construiu (…) a ideia de que uma parte do ICMS no Estado de São Paulo tinha que ser destinado exclusivamente para habitação. (…) Hoje essa ideia anda um pouco enfraquecida mas, da arrecadação, algo como 1% (…) é destinado (…) à Política Habitacional.

 

É fundamental, neste momento, a gente ressignificar a ideia de participação, (…) que não é a mesma ideia de participação dos anos 1980, que era basicamente uma participação presencial. Hoje talvez o ideal fosse a combinação de diversas formas de participação: presencial, não presencial, de diversos segmentos da sociedade, não só movimentos organizados, como também da sociedade civil que tem uma força política muito grande, mas esse valor a gente não pode descartar, (…) ele tem a ver com a possibilidade de a gente continuar a fazer a democracia respirar, um valor importante (…) [presente nos] movimentos [sociais], que ampliam essa possibilidade (…). 

 

O processo construtivo, o processo de construção das moradias, deve ser também objeto de uma crítica dura e sutil de que a gente deve respeitar o papel dos profissionais, dos arquitetos; permitir que a gente tenha diversidade de projetos, (…) inovar (…) na produção de habitação, (…) A Política Habitacional precisa contar com esses elementos. A gente faz (…) um esforço para que essa questão da assistência técnica seja (…) sempre debatida, questão que depende de mobilização da sociedade, depende de os profissionais colocarem isso como uma bandeira central, de reivindicação, para não ficar (…) numa lógica puramente mercantil, o que inclusive rebaixa a condição profissional de quem se dedica a essa questão da habitação.

 

Esse debate dos rumos da Política de Habitação na cidade (…) a gente está disposto a fazer (…). Aqui, na Escola da Cidade, a gente tem uma parceria, numa disciplina, em um processo de extensão universitária, em que os alunos estão indo nos mutirões, (…) nos bairros da periferia, aprender com a cidade, e também levar o conhecimento de alto nível que eles têm daqui (…). Para nós, essa parceria é fundamental: essa relação dos movimentos com os conhecimentos produzidos na Academia – (…) tem tudo a ver (…) investir [nisso] (…) no futuro, por que a gente vai fortalecer um ator importante na democracia que são os movimentos sociais e também criar um profissional que tenha na cabeça valores no sentido de afirmar a dignidade da pessoa humana, (…) da distribuição da justiça social, que são valores fundamentais para um novo tempo que com certeza virá. 

 

Nabil Bonduki, na mesma mesa, chamou a atenção para o papel fundamental dos movimentos populares na construção de Políticas Públicas e para o desafio de uma produção massiva de habitação com qualidade e urbanidade:  

 

Nosso objetivo (…) no Laboratório de Habitação era (…) formar lideranças de movimentos populares que fossem capazes de discutir Políticas Públicas. Quando chegavam nos órgãos públicos (…) – ainda [se] estava na ditadura – tinha aquilo que a Marilena Chauí chama de discurso competente, ou seja, o Poder Público dialogava com os movimentos como se (…) [estes] fossem inferiores, como se [o Movimento] não tivesse capacidade de debater Política Pública, não tivesse legitimidade para discutir. (…) A formação de lideranças em movimentos, [junto ao] trabalho que a gente fez (…)  de apoio e de assessoria [técnica], que depois foi continuado por muita gente (…), tinha muito esse objetivo de fazer com que esse ator fosse interlocutor importante no processo de construção de Política Pública, assim como, naquela época, colocar de novo a Arquitetura na questão da Habitação. 

 

No que diz respeito a uma questão nossa, dos arquitetos [em relação à] Habitação – questão que coloquei (…) muito brevemente na conclusão do [livro] “Pioneiros da Habitação Social” [e que] (…) temos que encarar de maneira muito forte (e isso é importante falar em uma pós-graduação (…) preocupada com a questão da Habitação aqui na Escola da Cidade): nós temos que colocar de uma maneira muito concreta a necessidade de (…) compatibilizar a qualidade de projeto com a produção massiva de Habitação. 

 

O problema não é existir a chamada Cidade Tiradentes. Existir um conjunto habitacional, na época muito distante da cidade, muito isolado: o problema não é esse: o problema é a qualidade do projeto de cidade, é sua articulação com o sistema de mobilidade urbana e a falta de uma perspectiva de desenvolvimento urbano que consiga descentralizar os empregos, (…) os serviços, e conseguir, de alguma maneira, que aquilo (…) estivesse, de saída, já integrado na cidade. (…) O que nós temos que pensar em termos de Habitação é como podemos construir cidades a partir do projeto habitacional e produzir cidade de qualidade (…) para um número enorme de pessoas.que precisa ser atendido a partir desse tipo de projeto. 

 

Nos próximos cinquenta anos, muitos pedaços desta cidade terão que ser reconstruídos. E como serão reconstruídos? (…) À maneira como têm sido construídos (…) por aí? [Como em] (…) alguns projetos do Minha Casa Minha Vida, com milhares de casinhas iguaizinhas, de quatro águas, em ruas sem infraestrutura ou infraestrutura mínima? Ou vamos pensar (…) na escala e qualidade que o desafio exige? Quando [se] (…) pensa [sobre] novos rumos para a produção habitacional no Brasil (…), acho que esse desafio está colocado, hoje, de maneira muito clara para os arquitetos, para os urbanistas. (…) Temos que [nos] desenvolver (…) para (…) que quando as condições políticas permitirem que essa produção em escala possa se dar – e isso tem sido cíclico no Brasil – nós tenhamos capacidade para enfrentar esse desafio.  

 

Elisabete França, na mesa do dia 13 de Março, afirmou a posição dos arquitetos como promotores de bons projetos de habitação, que estão intrinsecamente relacionados com a ideia de saneamento básico universalizado. Convoca os arquitetos a trabalharem como servidores públicos ou em situações em que possam agir em consonância com a responsabilidade que têm como técnicos formados através do esforço de todo um país: 

 

A gente trouxe a participação ativa dos escritórios de arquitetura [nos projetos públicos de habitação]. (…) Tínhamos, às vezes, que reassentar pessoas [e] (…) construir unidades habitacionais. Tivemos essa ideia: por que que a gente não pode superar a “fase BNH” – do prédio mal feito etc – e chamar arquitetos para fazer esses projetos? Naquela ocasião, o Abrahão Sanovicz (…) tinha um trabalho muito legal (…) e então montamos uma equipe [sob sua coordenação]. (…) O conjunto habitacional [então construído a partir de projeto da sua equipe] continua hoje com a mesma qualidade (…) [e] os moradores aprimoraram,  na medida de [suas] possibilidades, [os seus] condomínios. Assim se foi criando (…) um corpo de conhecimentos (…). 

 

A perspectiva otimista para o futuro é isso: a gente tem que estabelecer cada vez mais essa força da habitação nos cursos de arquitetura para preparar capacidades técnicas nos jovens que vão atuar, por que no Poder Público tem que convencer gestores – a gente fala mal de prefeitos, governador, mas (…) tem que chegar [e dizer para eles]: “Olha, esse programa é bacana, vai dar ibope, [avança com] o saneamento básico – acho que essa é uma das linhas de prospecção. (…) A coisa é dramática – seis milhões de brasileiros sem tratamento de esgoto. (…) Não é possível um país onde tem gente sem saneamento básico”.

 

[Vocês devem] aproveitar o momento e não desistir. (…) Vocês são jovens, são o futuro (…).Vocês têm uma responsabilidade ética com o país. Um país que está proporcionando que vocês estejam aqui na universidade. Vocês têm que (…) [devolver] esse (…) recurso que o país está investindo em vocês, dando (…) resposta à sociedade. Vão trabalhar em prefeituras, em assistências técnicas, entidades, ONGs: (…) é um mundo de possibilidades de trabalho!

Fig. 7 Sérgio Magalhães e Elisabete França, em mesa mediada pela arquiteta Violêta Kubrusly

 

Sérgio Magalhães, em sua fala, chama a atenção para a cidade com a qual temos que dialogar, cidade feita majoritariamente através do esforço das famílias mais pobres, cuja poupança tem sido a promotora da maior parte da produção de nossas áreas urbanas e que têm contado com pouquíssimo apoio técnico. Arquitetos, representantes da sociedade quanto às decisões sobre a construção de seus espaços, precisam encarar o desafio de lidar com a necessidade de transformar a cidade que temos diante de nós em “uma cidade de convívio pleno, e não a cidade da exclusão, não a cidade dos espaços públicos degradados – ao contrário, a cidade dos espaços públicos bem tratados”.  

 

Quando a sociedade brasileira confere o diploma de arquiteto a quem faz o curso de arquitetura, ela transfere a esse cidadão, a essa pessoa, a incumbência de representar a sociedade nos aspectos que são relacionados à construção do espaço onde as pessoas vão viver.

 

O tema Habitação Social, eu acho que está um pouquinho defasado. Acho que devemos tratar de Habitação. De certo modo, toda habitação é social. Parto das contingências do Brasil, [onde] hoje, talvez, nas grandes cidades (…) 15%, máximo 20%, do que é construído está dentro da regulação oficial. E talvez, 80%, 85% (…) dentro do esforço que as famílias, especialmente as famílias pobres, fazem para se inserirem na vida urbana, através da construção de sua moradia, precária que seja: Habitação é tudo isso. Tratar habitação discriminadamente acho que pode ser até uma certa injustiça com esse conjunto que produziu as cidades brasileiras.

 

Em cada cinco casas construídas no Brasil, quatro foram construídas exclusivamente com a poupança diária de cada família e, portanto, das famílias mais pobres deste país, mesmo neste período atual (…), [com] quatro milhões de domicílios teoricamente produzidos, de 2009 para cá, dentro dos financiamentos oficiais, dos bancos etc, como o Programa Minha Casa Minha Vida. Quatro milhões em dez anos. Nesses dez anos, o Brasil construiu dezessete milhões de domicílios. Onde construíram? Construíram na cidade da precariedade que temos aí: é sobre isso que devemos trabalhar.- é sobre esse conjunto que está nossa dimensão profissional mais efetiva, mais rica, mais recuperadora de condições ambientais, sociais, econômicas, políticas que o país possa desejar.  

 

Nesta geração, que chegará no final dos anos 2030 com quarenta e poucos anos, cinquenta anos – que está hoje com vinte e poucos – esta geração verá o Brasil construído [com] mais de metade dos domicílios que tem hoje: se hoje temos sessenta milhões, urbanos, nós vamos ter mais de cem milhões no final dos anos 2030. Pelo menos mais quarenta milhões de domicílios nesse período. Que serão construídos como? Quais são as Políticas Públicas que permitirão que esses novos quarenta milhões de domicílios sejam construídos adequadamente (…) às condições contemporâneas? Onde estão as Políticas Públicas que vão permitir que a família possa trabalhar, estudar e produzir a sua casa em condições satisfatórias, com um  crédito, que ela precisa ter para construir adequadamente? Como teremos ruas com infraestrutura, transporte adequado, para esses novos quarenta milhões de domicílios? E lembro: esses quarenta milhões de domicílios novos não terão nenhum morador a mais do que temos hoje, isto é, nós vamos crescer mais de 50% nosso parque habitacional sem aumentar a população brasileira. É um outro fenômeno que tem acompanhado essas últimas gerações, que se reflete no tamanho médio da família. Ao reduzir o tamanho médio da família, a mesma população demanda muito mais moradia e cria também uma condição nova que é a necessidade da interação social ser muito mais  efetiva.

 

Para essa família pequena, é necessário uma cidade intensa, uma cidade viva, uma cidade dinâmica, uma cidade de multiplicidade de funções, uma cidade de convívio pleno, e não a cidade da exclusão, não a cidade dos espaços públicos degradados – ao contrário, a cidade dos espaços públicos bem tratados.    

Marcos Boldarini, na mesa do dia 14, coloca a luz sobre a posição do projeto no âmbito das Políticas Públicas. Fala do projeto e da obra como ponta final da Política Pública e movimento de transformação em que os saberes relativos ao ofício do arquiteto são convocados e praticados em conjunto com múltiplos saberes, num processo que interage com dinâmicas complexas e que aponta para melhores condições na vida das pessoas.

 

A gente tem um processo de construção das cidades que nos deixa, hoje, uma condição efetiva, para a qual nós temos uma contribuição a fazer. Essa contribuição, no meu caso, é a contribuição de quem trabalha numa ponta de um processo muito longo, que é o processo de formulação, elaboração, desenvolvimento e aplicação de Políticas Públicas. Acho que às vezes talvez o holofote fique excessivo naquilo que é a ponta final dessa cadeia que é aquilo que efetivamente se materializa como ação que é o projeto, a obra, que é um momento muito importante, mas que não acontece sem que haja energia para que as Políticas Públicas aconteçam.  

 

Isso não quer dizer que eu vá me furtar daquilo que eu posso como profissional contribuir em determinados processos. Acho que essa é uma ressalva importante por que não se faz arquitetura, qualquer que seja ela, sem que você tenha respaldo sob o ponto de vista político, sob o ponto de vista da ação pública. E isso pressupõe, para os que desejam trabalhar nesse meio, compreensão dos processos como eles se dão e também estar atento às mudanças que verificamos. E verificamos essas mudanças no dia a dia, verificamos pela contribuição da Academia, enfim, pela experiência de profissionais, sob a qual a gente lança o olhar, analisa o trabalho. (…) Não se faz arquitetura sem a crítica ao próprio trabalho, (…) sem a reflexão sobre a experiência dos parceiros ou outros militantes, independente de concordar ou não, há que se valorizar esse pressuposto.    

 

Quando você trabalha em qualquer (…) pedaço de cidade, bairro, território, lote, enfim – há sempre a oportunidade (…) de transformar efetivamente determinados contextos sociais, ambientais e que necessitam (…) da contribuição de muitos pares – engenheiros, assistentes socias, geólogos, educadores e assim por diante. Por quê? Por que é complexo, porque é dinâmico e porque é intenso e se transforma o tempo todo. 

 

Acredito que, sem o envolvimento efetivo, sem um processo que compreenda aproximações, a participação de diversos grupos e moradores, sistemas de gestão, que sejam mais eficientes e próximos, se essa condição não se cristalizar no território e nas comunidades de maneira mais intensa (e aí a gente tem uma série de experiências para de novo retornar e olhar para elas e replicá-las com nova roupagem, com nova tecnologia), acho que de novo a gente vai ficar num ciclo vicioso- fazendo e refazendo.  

 

O que é muito sedutor (…) é que essas condições extremas, as condições mais difíceis são as que vão requerer as soluções mais criativas, as soluções ainda não pensadas, aquilo que a cidade informal abre um catálogo de soluções prontas e aplica. É quando a drenagem se faz de maneira distinta, é quando as equações sobre aquilo que é novo construído se faz de outra maneira. Então, há a possibilidade de se criar contextos físicos muito distintos, e a partir dessa atuação, com as contribuições das diversas disciplinas e Políticas, também pensar em constituir situações e arranjos sociais que garantam condições melhores desses grupos,  

 

Fig. 8 Marcos Boldarini e Jorge Jauregui em mesa mediada pela arquiteta Maria Teresa Diniz      

 

Jorge Mario Jáuregui, na mesma mesa, com sua notável capacidade de organização das ideias quanto ao que se fazer diante da condição que se apresenta, traz um conjunto de procedimentos que compõe um método de ação, instrumento oferecido aos colegas que se alinham com ele na busca por caminhos para lidar com as cidades atuais, com seus bairros populares e precariedade, algo que faz com generosidade e profundo senso de responsabilidade. Refere-se a questões fundamentais:

 

Viabilização dos processos participativos, a questão da escuta das demandas que, para mim, é uma questão central. Escuta das demandas e elaboração dos esquemas de leitura da estrutura do lugar, de cada lugar, onde vamos intervir, é o ponto de partida fundamental, do qual vai derivar o esquema urbano que vai ser a espinha dorsal que vai permitir as diferentes Políticas Públicas se integrarem nesse projeto, nessa atuação abrangente, que é basicamente física e social. Infraestrutural urbanístico-ambiental no físico, social que tem a ver com o econômico, cultural e especialmente com Políticas para geração de trabalho e renda, e com, obviamente, o manejo sustentável dos recursos, que sempre são limitados e escassos, muito mais nessas área em que a gente intervém, áreas muito frágeis, onde não devemos não só não destruir os frágeis equilíbrios de existência, senão potencializar, (…) introduzir mais energia através do projeto. Eu sempre defino que isso tem a ver com reconhecer as centralidades existentes e injetar outras novas que possam ressignificar os lugares. essa estratégia é (…) fundamental para poder intervir nesses lugares frágeis.

 

Oito passos relevantes para avançar na direção de uma Política Pública para Habitação de Interesse Social: 

 

  • Primeiro (…), se trata de contrapor um outro modelo de atuação do Poder Público.à Política de Habitação popular baseada na construção de apartamentos ou casas de baixa qualidade, sem sentido estético e de falta de relação orgânica com a cidade, longe das áreas comerciais e de serviços públicos, das fontes de trabalho e com dificuldades de acesso ao transporte público. Isso é uma radiografia do que são essas áreas frágeis.
  • Segundo: é necessário considerar simultaneamente as implicações urbanísticas, isto é, a configuração da dimensão pública para a vida privada, implicações sociais, ou seja, o agrupamento individual que deve ser mais que a soma ou adição de células, devendo resultar na combinação fluida de pequenos coletivos, implicações arquitetônicas, sempre é claro – obtenção de diferenciação na repetição, com volumetrias variadas, e as implicações ambientais, configurar entornos, onde natureza e artifício possam conviver de maneira harmônica. 
  • Outro ponto: oferecer habitações flexíveis, com plantas baixas de uso misto, comércio, locais de trabalho ou serviços. Essa é uma questão fundamental para não ter edificações monofuncionais que empobrecem o tecido urbano. 
  • Outro ponto: Oferecer habitação, não só na pequena escala, mas especialmente núcleos habitacionais com o DNA do urbano, com os quais os habitantes possam se identificar.
  • Outro ponto: Incluir o vegetal como questão estrutural, garantir adequada relação massa verde – massa construída, como falava Lúcio Costa.
  • Outro ponto: mais que habitação, se trata de materializar pólos de desenvolvimento urbano, incluindo outras funções, tais como locais de trabalho, cinemas, hotéis, serviços culturais, em complemento com a iniciativa privada se possível, a partir de um plano urbanístico base, buscando a sustentabilidade dos empreendimentos. Também não é só o Poder Público que tem o poder e a responsabilidade de atuar – também o privado pode fazer sua contribuição.
  • O desafio atual consiste, para mim, em considerar ao mesmo tempo a “forma urbana”, ou seja, os edifícios, os lotes, os quarteirões, as ruas, as praças e os “tipos de construção”, ou seja, as casas, as edificações multifamiliares, as edificações em altura, comércio, serviços etc, com o objetivo de estruturar o processo de transformação urbana. 

Por que o campo de habitação de interesse social é, sem dúvida, o campo do sócio-espacial que mais demandará criação e investigação ao longo do século XXI – muito mais que outras áreas. Todo esforço que se faça, sempre é pouco. 

  • E, finalmente, último ponto que queria abordar: que o projeto de arquitetura de habitação de interesse social implica considerar simultaneamente o ético, ou seja, fazer o que deve ser feito – isso é a ética para a psicanálise – o estético, que implica sempre o desafio do novo e o político, que são as difíceis relações com as estruturas de poder econômico, político, militar, de todo tipo. Nessas difíceis relações com as estruturas de poder, há três tempos que o projeto precisa articular, que são três tempos que não coincidem: o tempo da elaboração do projeto, que tem uma necessidade de maturação própria, não muito mensurável, o tempo da obra, ou seja, o tempo técnico, e o tempo político, que é sempre a urgência de responder às demandas o mais rápido possível.  

 

Acima, reproduzimos trechos das falas dos participantes das mesas de debate “Novos Caminhos para a Habitação Social”, que recebeu oficialmente o selo de evento preparatório da UIA 2020 no Rio de Janeiro – na ocasião, houve transmissão ao vivo pela internet intermediada pela ArchDaily e gravação em vídeo, que passou por edição que aqui apresentamos. 

O vídeo produzido a partir da gravação pode ser acessado através do link:

Algumas informações sobre o curso de Pós-graduação lato sensu Habitação e Cidade, da Escola da Cidade, que concluiu dez anos de existência:

Coordenadores do curso: Ruben Otero; Luis Octavio de Faria e Silva

Coordenadora assistente: Maria Teresa Cardoso Fedeli

Coordenadores em edições anteriores: Anália MMC Amorim (1ª edição do curso); Maria

Teresa Diniz, Marcelo Rebelo, Thiago Barbizan

Professor Assistente: Victor Minghini (2013-2018)

 

Professores que tiveram participação no curso de 2009 a 2018: Acqua Alta; Adrian Gorilik; Adriana Levisky; Agnaldo Farias; Alejandro Echeveri; Alessandro Tessari; Alex Gimenez; Alexandre Delijaicov; Alina Del Castillo; Alvaro Mello; Amanda Morelli Rodrigues; Anaclaudia Rossbach; Ana Isabel Remolina; Ana Elena Salvi; Ana Julia Brandão; Ana Paula Bruno; Ana Paula Koury; Anália MMC Amorim; Andrea Tapia; Ângela Amaral; Aranguren e Gallegos; Arnaldo de Melo; Barbara Hoidn; Barbara Silva; Benedito Roberto Barbosa; Caio Santo Amore; Camila Oliveira; Candelaria Reyes; Carlo Pozzi; Carlos Barrado; Carlos Campuzano; Carlos Franco; Carlos Lemos; Ciro Pirondi; Christian Wertmann; Claus Bantel; Clemencia Escallon; Cristina Brasileira; Daniel Montandon; Domenico Potenza; Domingos Pires; Doron Grull; Edilson Mineiro; Edson Elito; Eduardo Carvalho; Eduardo Subirats; Elaine Cristina; Eleonora Mascia; Eliene Coelho; Elisabete França; Elvis Vieira; Eulalia Negrelos; Eugênio Queiroga; Evaniza Rodrigues; Fabienne Hoelzel; Fabio Ayerra; Fabio Mariz Gonçalves; Fabio Valentim; Fabrizio Rigout; Felipe Noto; Fernanda Barbara; Fernanda Lima; Flavia Nascimento; Flavio Higushi Hirao; Gilson Paranhos; Giovanni Rasetti; Gustavo Rebord; Héctor Vigliecca; Hélène Afanasieff; Helio Olga; Helio Piñon; Heloisa Maringoni; Heloisa Regina; Ignacio Volante; Ines Moisset; Ines Battagin; Irene Rizzo; Isabela Gardes; Jack Couriel; Jaime Gimenez; Jaime Leirner; Jefferson Tavares; Joana Mello; João Marcos de Almeida; Joice Giannotto; Jorge Mario Jauregui; Jorge Wilheim; José Alberto; José Armênio Cruz; José Lira; Jose Maria de Lapuerta; José Rollemberg; Josep Fernando; Josep Maria Montaner; Juan Mascaró; Juan Pablo Aschner; J. Sebastian Bustamante; Julia Mantovani; Juliana F. Armede; Juliano Ximenes; Jurandyr Ross; Karina Alencar; Karina Leitão; Ladislau Dowbor; Lara Barbosa; Larissa Viana; Lea Cavalcanti; Ligia Miranda; Lina Toro; Linsey; Lizete Rubano; Luciano Margotto; Luis Espallargas; Luis Mauro Freire; Luis Kehl; Luis Kohara; Luisa Sassi; Luiz Fernando Fachini; Marcel Sanches; Marcela Samper; Marcelo Faiden; Marcelo Ferraz; Marcos Acayaba; Marcos Boldarini; Maria Cecilia Gorsky; Maria Cláudia Brandão; Maria Luiza M. Granziera; Maria Ruth Sampaio; Maria Teresa Diniz; Maria Teresa Grillo; Marilena Fajer; Marina Rosa; Mario Figueroa; Mario Reali; Mario Yoshinaga; Martha Kohen; Marta Lagrecca; Marta Moreira; Mauro Claro; Michele Manigrasso; Mirela Geiger; Nabil Bonduki; Natalia Castano Cardenas; Natalya Solopova; Newton Massafumi; Nilce Aravecchia; Oscar Santana; Osmar Borges; Paloma Vera; Pascual Ganguotena; Paula Shinzato; Paulo Brazil; Paulo Bruna; Paulo Mendes da Rocha; Paulo Pellegrino; Paulo Pignanelli; Paulo Saldiva; Pedro Araújo; Pedro Salles; Pedro Souza; Pedro Teleki; Pierre Melmerstein; Plinio Tomaz; Rainer Grassman; Rainer Hehl; Raphael Rodrigues; Raquel Rolnik; Raul Vallés; Regina Meyer; Renata Miron; Renata Semin; Renato Cymbalista; Ricardo Buso; Ricardo Caruana; Ricardo Nader; Robert de Paaw; Roberto Sakamoto; Roberto Santos; Rosane Tierno; Rumi Kubokawa; Ruth Verde Zein; Sergio Abrahão; Sergio Ludemann; Sharif Kahatt; Stetson Lareu; Sun Alex; Suzel Maciel; Sylvio Sawaya; Tânia Beisl Ramos; Tassia Regino; Tereza Herling; Thiago de Andrade; Thiago Teixeira; Utpal Sharma, Valdemir Rosa; Valter Fabietti; Vanessa Padiá; Vinicius Andrade; Vitor Paixão; Viviane Rubio; Violeta Kubrusly; Vitalina Bernardete dos Santos; Walkyria M. Paula; Walter Pires; Yopanan Rebello

 

Alunos:

 

2009 – Alberto Luis Nicolav; Alexandre Cordeiro; Antonio Almeida Pires; Betina Roque Lorenzetti; Bianca Languidi; Carolina Bloise; Claudia Franco Roia; Cristiane de Carvalho Fernandez Soncin; Cristiane Dutra Nascimento; Daniel Elie Kalil; Darcy Gebara Ramos Francisco; Elaine Cristina da Costa; Fernanda Gonçalves Moceri; Gerson Koji Yoshizumi; Jéferson Domingues Diniz; Juliana Vargas de Castilho; Leandro GiamasIafigliola; Lucas Alves de Lima Nicésio; Luciano Lucas Galvinas; Luis Fernando Arias Fachini; Luiz Henrique Girardi; Maria Teresa Cardoso Fedeli; Marina Batista da Rosa; Patricia Cristina Ribeiro Manna de Deus; Pedro Cardoso Smith; Priscilla Marques Rodrigues; Rafael Marques Castellar; Renato Schattan; Sergio Dal Maso; Sergio de Paula Leite Sampaio; Ulisses Demarchi Silva Terra; Vanessa Padiá de Souza; Viviane da Silva Rodrigues; Vera Aparecida de Oliveira Mendes

 

2010 – Ana Carolina Nascimento da Silva Oliveira; Andreia Marquis; Beatriz Martinez Gonzalez; Cassio Houang Daher; Consuelo A. Gonçales Gallego; Cristiane Carolino Crisosto Emanuel Cortez; Felipe Augusto Sant’Anna; Karlos Feliphe da Vitória Rupf; Kirsten Mary Larson; Lúcia Annunciato Cabral Pereira; Leonardo Nadolny Nassour; Luiz Fernando de Gasperi Viana; Marcelo Fukushima Patarro; Ricardo Fernandes Adreano Do Couto; Ricardo Miyahara; Roberta dos Santos Martins; Roberto Fontes De Souza; Rodrigo Cesar David;

 

2011 – Ana Lúcia Longato; Bruno de Toledo Sivieri; Carlos Ossamu Shitakubo; Danielle Gomes da Silva; Desy Frezet; Fernanda Marta; Fernando Ferraz Gazzaneo; Fredi Montecinos; Ivan Mazel; Juliana Alves Guimarães; LarissaAraujo de Oliveira; Luciana Ribeiro Lopes; Mariana de Moraes da Fonseca; Miréia Cuerda Alvarez; Noelia Monteiro de Ribeiro; Paulo Henrique Brito; Pedro Campones Rocha Santos; Rafael Estrada Aznar; Ronaldo Pinto; Saulo Ferraz Alves Medeiros; Sheila Naomi Goto; Silvia de Mesquita Rodrigues de Freitas; Silvio Tadeu Vuoto; Solange Giannini; Suzana Leite de Barros Baltar; Vania Cristiane Flores Salinas; 

 

2012 – Alexandre Julien Pierrard; Alice Santoro Belangero; Altemir A. de Almeida; Andreia Pereira de Sousa; Bruna Plantier Castanho; Bruno Paulino da Silva; Camila Haickel da Costa; Carla Meirelles Roxo; Denise Vac; Erika Anchieta de O. Nobre; Euridan Ferreira da Costa; Fabian Eduardo Rodriguez Cristancho; Felipe Mestre Moreno; Fernando Diaz Soler; Flora Maria Groke Campanatti; Gabriela Defilippi Audrá; Guilherme do Carmo Gomes Dias; José Carlos Lima; Josep Pons Miguel; Juliana Barsi de Castro Teixeira; Karina Gabriel Alencar; Lívia Tateyama; Maíra Bauherz; Marcia Cezar ZaccariaEndrighi; Marta Junqueira da Silva; Mirela Cristina Faria Caetano; Paula Rodrigues de Souza; PieraDore; Priscilla De Natale; Ricardo Stern; Samira Manoel dos Santos Lima; Sandra Maria Valéria Patriani; Sarah Rodrigues da Silva; Silvia Costa Monteiro; Vanessa Soledad Rabbia; Victor Martins Minghini;

 

2013 – Ágatha Gonçalves Morare; André dos Santos Ribeiro; Artur Fávaro Mei; Beatriz Polizeli; Caio Marçon Mesquita; Camila Romano; Carlos Antonio Mattos; Cinzia Schiavon ; Clelio Aparecido Leme; Daniela Facchin; Dhiego Magalhães Torrano; Douglas Gomes do Nascimento; Fabiana Kalaigian Kiulhtzian; Fernanda Lie Sakano; German Biglia; Isabela Naiade do Nascimento Gardés; Joan Font Ballesté; Joana Paula Penso; José Ricardo Paoliello Junior; Juliana Drahomiro Gomes; Lara Isa Costa Ferreira; Livia Silva Ribeiro; Lyzandra Machado Martins; Mariana Ribeiro dos Santos; Martin Benavidez; Nathalie Artaxo Santiago Toledo; Patrícia Pereira Fraga da Costa; Sandro De Mauro; Silvio Cesar Riechi; Sylvia da Costa Facciolla;

 

2014 – Aline Cristina da Cunha Silva; Bruno Fonseca Cardoso Andrade; Carolina Aparecida Sousa; Gustavo Franco Garcia Guedes; José Ivonildo Ribeiro da Silva Filho; Lila D’Alessandro; Letícia Leal Costa Pinto; Manuel Moruzzi; Maria Fernanda Arias Godoy; Nielson Fortunato Souza dos Santos; Patrícia Amaral Gurgel Küpper; Renata C. A. Cardoso; Renato Garrido de Barros; Tamires Miranda de Oliveira Tamanini;

 

2015 –Alessandra Regina dos Santos Moreira; Alexandre de Sousa Tenório; Andrea Straccia;Bethania Gonçalves de Souza; Bruna Silva Chacim; Cecília Carrapatoso da Costa; Cláudia Andreoli Muniz; Eduardo Cunha de Toledo Ferrão; Fábio de Oliveira Matos; Fausto Akihiro Chino; Fernando Fayet de Oliveira; Gustavo Prado Fontes; Henrique Utino; Herbert Hideki Yamamoto; Jéssica Nardy Machado; João Vitor de Souza Ferraz da Silva; Julia Peluzzo Lamy de Miranda; Júlio César Alves Ferreira; Leandro Teixeira Zaparoli; Leonardo Resende Gualberto; Lucas Daniel Ferreira; Lúcio Mamede de Souza Filho; Luis Fernando Cáto; Manoella Gabriel Rodrigues; Marineia Lazzari Chiovatto; Mathias Pierre Saboya; Miguel Akio Okada; Monica de Jesus Salomão; Natan da Silva Ramos; Naymi Andirá Christoffel Lobato; Oscar Seiti Chinen; Pedro Fedeli Hirata; Raphael Daibert Gomide; Renata Bonafé Ribeiro; Renato Pereira da Silva; Ricardo Pirondi Gonçalves; Shirlene de Moura Matos; Valquiria Castro Ramos; Vanessa Pereira Cassettare;

 

2016 – Ana Carolina Machado de Oliveira; André Gomes Ferreira da Silva; Bruna Ravagnani Donadeli; Bruna Renata Farine Milani; Cristina Perez Gimenez; Daniel Claudio da Silva Calderón; Fernanda Amadeu da Silva; Josefa Vanúbia Pontes Moreira; Julia Marini; Michele Guillen San Martin Costa; Michelle Hernandes Bashiyo; Pamela Bertozzi; Paula Fernanda Faria Rodrigues; Paulo Bindi Brandão; Raimundo Nonato Borges Junior; Sheroll Martins Silva; Silvio Manoel do Nascimento; Tadeu Lara Baltar da Rocha; Willian Yoshida de Almeida;

 

2017 – Adriana de Lima Sampaio; Aldo Garcia Junior; Alex Honório; Aline dos Santos Souza; Bianca Boreggio Machado; Erica Vilasboas Monteiro Morgado; Esteban Enrique Machuca Cabrera; Guilherme Calió Cicerone; Hellen C Gonçalves dos Santos; Henrique Ortega Perdiz; Joséphine Poirot-Delpech; Juliane Aparecida Neiva Ottoni; Laryssa Kruger da Costa; Ligia Monteiro Silva; Marcia Maria Policastro Pessoa; Maria Fernanda Machado; Mariana de Toledo Ignácio; Patricia Baptista Moreno Martin; Paulo Rogério de Pasquali; Priscila Leonor Piazza; Rafael Mentone de Britto Siqueira; Sidney Carneiro de Mendonça Fernandes; Tales Alexandro Miguel Miranda; Thales Eduardo Sportero Gama;

 

2018 – Alcyr Barbin Neto; Alline Lais Nunes; Ana Carolina Alves Sobral; Ana Sofia Kahl Póvoa; Arthur Martins Tiveron; Camila Campos Tavares Carvalho; Carlos Alberto Dillon Soares Junior; Carolina de França Pereira; Daniela Fajer Rosa; Fernando Thomaz Henriques Junior; Gabriela Princhak Teixeira Pinto; Guilherme Pulice Bernoldi; José Roberto Trícoli; Karen Larissa Santos Lima; Katrin Abdallah Mendonça; Mariana de Jesus Terra; Marina Marques De Nadai; Moisés Caio das Dores; Paula Van Erven; Rafael Abelini de Macedo; Raphael Lahorgue Gomes Carneiro; Raissa Gomes de Oliveira; Renan Leite Galindo da Silva;

 

Áreas de projeto (2009-2018)

Avenida Ipiranga – São Paulo

Bairros Cota – Cubatão SP

Baixada do Glicério – São Paulo

Barra Funda – São Paulo

Bixiga – São Paulo

Cabuçu de Baixo – São Paulo

Cabuçu de Cima – São Paulo

Casavalle – Montevidéu – Uruguai

Cerro de la Cruz – Medellin – Colômbia

Cotia SP

Encanta Moça – Recife

Jardim Colombo – São Paulo

Jardim Colonial – São Paulo

Jardim Cumbica – Guarulhos SP

Jardim Japão – São Paulo

Jardim Paraná – São Paulo

Jurunas – Belém

La Maternidad/ Artesanos – Córdoba – Argentina

Luz – São Paulo

Moóca – São Paulo

Morro do S – São Paulo

Ocupações no Centro – São Paulo

Ouro Verde e Sagrado Coração – Jandira SP

Paraisópolis – São Paulo

Sol Nascente – Ceilândia/ Brasília

Vila Flávia – São Paulo

Xochimilco – Cidade do México

 

]]>
/novos-caminhos-para-a-habitacao-social-reflexoes-sobre-evento-ocorrido-em-2019/feed/ 0
Restauração Ambiental Ecológica da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe /restauracao-ambiental-ecologica-da-bacia-hidrografica-do-rio-do-peixe/ /restauracao-ambiental-ecologica-da-bacia-hidrografica-do-rio-do-peixe/#respond Thu, 04 Oct 2018 19:19:36 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=313 Restauração Ambiental Ecológica  da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe

Pesquisa do Grupo Arquitetura e Biosfera EC Águas/ Plataforma habita-cidade

Piloto para desenvolvimento de Projeto de Reestruturação Ambiental Ecológica

 

A Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe, um dos mais importantes rios da Mantiqueira no território paulista, será observada na Pesquisa aqui apresentada quanto aos aspectos positivos e negativos no que se refere às pressões antrópicas nela existentes, tendo em vista a necessidade de reidratação da paisagem face à diminuição da hidráulica dos rios daquela serra que pode ser vista como uma das grandes fontes d’água do sudeste brasileiro.

A Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe é uma província hídrica da serra da Mantiqueira. Está no chamado Circuito das Águas paulista. Ali percebe-se a pressão sobre o chamado Complexo da Mantiqueira, cuja carga hídrica tem diminuído significativamente nos últimos tempos e no qual estão rios utilizados para abastecimento de água das duas maiores cidades brasileiras (São Paulo e Rio de Janeiro), algo que reforça a urgência de ações restauradoras.

A expectativa é a de se perceber e identificar movimentos propositivos apropriados quanto ao cuidado com as suas água e com a manutenção da qualidade desta.

As diferenças de cotas na Bacia em questão abrigam diferentes ambientes ecológicos e, assim, será na presente pesquisa, para efeito de análise e proposições, dividida em três regiões, a saber,

Região 1, junto às nascentes, em Munhoz, MG, onde está a Serra Fina, Alto Rio do Peixe, com cotas acima de 1.000m de altitude, com áreas entendidas como hot spots em função da beleza cênica e valorização por parte dos promotores de turismo – há áreas preservadas, mas há também inserção intensa de espécies exóticas tanto para evocar paisagens europeias no meio urbano, quanto para cultivos na área rural, algo que será tratado dentro da realidade e necessidades econômicas da região, com um olhar atento para os impactos quanto às espécies nativas;

Região 2, junto às cidades de Socorro, Lindóia e Águas de Lindóia (tendo como bordas as cidades de Serra Negra e Monte Sião, correspondendo ao Médio Rio do Peixe  e

Região 3, junto à foz no rio Mogi-Guaçu, próximo a Itapira, Baixo Rio do Peixe.

Ações recentes relacionadas ao turismo de aventura têm se demonstrado ferramentas aliadas da intenção de preservação dos ecossistemas ali ameaçados. Por outro lado, a proliferação de condomínios fechados têm contribuído para desequilibrar ainda mais as dinâmicas ambientais na região, com aceleração de processos de ocupação desordenada.

 

Objetivo Geral da Pesquisa

O objetivo geral da pesquisa sobre a Bacia do Rio do Peixe é o de compreender na região, a partir da fisiologia da paisagem, as dinâmicas das águas: de escoamento, percolação, infiltração, armazenamento, macro e micro climas, na perspectiva da busca de equilíbrio entre ocupação humana e hidrosfera/ biosfera.

Para tanto, ciclos biogeoquímicos serão observados, assim como a ocupação humana – urbanização e agricultura, fertilização e irrigação.

Serão observadas analítica e propositivamente as relações quanto à Macro metrópole paulista, refletidas na ocupação ali empreendida, seja urbana ou rural e nas atividades relacionadas com o turismo que têm sido frequentes.

No que se refere às disciplinas de Arquitetura e Urbanismo, a ideia é a de se empreender um levantamento do histórico da ocupação e referências, além de exemplos de aplicação e possibilidades quanto à chamada infraestrutura verde.

A pesquisa pretende fazer um balanço da dita Economia Verde na região, de projetos para áreas ecologicamente delicadas.

 

Principais aspectos a serem investigados na Pesquisa:

A diminuição do potencial hidráulico de rios como o do Peixe, (contendo corredeiras), ligado ao aquífero Mantiqueira (Circuito das Águas paulista), um dos grandes mananciais do sudeste brasileiro;

Questões locais, como: relação com a infraestrutura turística, quais as consequências sobre a paisagem, e se existem benefícios;

Avanço de modelos de condomínios, exercendo pressões sobre o patrimônio natural da região;

Como a agricultura está participando das ações de valorização da Bacia do rio em foco;

Quais atividades ligadas a ecologia e saúde (Circuito das Águas ) estão beneficiando

a região, e qual o papel da arquitetura

 

Ferramentas/instrumentos pretendidos na Pesquisa:

Produção de Material Didático (Manuais, Maquetes etc) quanto à antropização/ poluição dos rios/ Distribuição Hídrica/ Pressões (das pressões positivas, serão levantados Links de Projetos Locais de Remediação; Ações comunitárias; Educação Ambiental)

 

Procedimentos:

Montagem de estratégias a partir de consulta constante a mapas para

identificação de questões históricas e pressões positivas/negativas

Quanto às disciplinas Urbanismo/ Arquitetura, observação da ocupação e diferenças regionais de pressões nos diferentes municípios

Estudos específicos de segmentos da Bacia Hidrográfica em função de diferenças nas médias de cotas: Munhoz; Serra Negra/ Lindóia; Itapira/ Mogi-Guaçu

 

Referências Bibliográficas:

 

MCHARG, Ian L. Design with Nature. The Natural History Press, New York 1969.

HALPRIN, Lawrence (1989). Design as a Value System. Places, 6(1). Retrieved from https://escholarship.org/uc/item/1zs9q4cm

Landscape designers: Peter Walker & Martha Schwartz

 

 

 

 

Uma primeira ação relacionada à pesquisa Restauração Ambiental Ecológica da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe

será a viagem “Expedição EC Águas Rio do Peixe”, de 9 a 11 de Novembro de 2018.

 

Proposta da viagem: Primeiro contato para estudos sobre a Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe, com prática de trilhas na margem do rio, área rural + visita a arquitetura representativa do Circuito das Águas paulista no século XX e ações restauradoras recentes da paisagem.

 

Parceiros

Mundaka – base de turismo ecológico na região, com restaurante e guias para trilhas

Pousada Rio do Peixe

Copaíba – ONG na região que se dedica à proteção sócio-ambiental

 

Programação

9/ Nov sexta feira – chegada Mundaka aprox. 11h, apresentação pesquisa, almoço Mundaka (incluso), tarde: visita Copaíba, lanche em Socorro (não incluso), pernoite chalé Pousada

 

10/Nov sábado – manhã: trilha Mantiqueira; almoço Mundaka (incluso); tarde: visita ao balneário de Águas de Lindóia (custo para utilização da piscina não incluso); lanche em Águas de Lindóia (não incluso); pernoite chalé Pousada

 

11/ Nov domingo – manhã: trilha das Cachoeiras/Fazenda; almoço Mundaka (incluso); volta para SP

 

Integrantes da viagem ficarão em chalés de 4 pessoas cada, transporte está incluso no valor

Custo para alunos interessados R$ 975,00 – Pagamento em 2 vezes – 20/out e 9/nov

(575,00 entrada, 400,00 em 9/11)

 

Professores envolvidos:

Sidney Fernandes, técnico em Meio Ambiente com licenciatura em Geociências e Educação Ambiental, graduado em Desenho Industrial FAAP, pós-graduação Habitação e Cidade (Escola da Cidade), trabalha como paisagista desde 1992

Luis Octavio de Faria e Silva, arquiteto e professor na Escola da Cidade e na USJT, doutorado FAUUSP 2008, coordenador do curso de pós-graduação lato sensu Habitação e Cidade (Escola da Cidade), mediador Plataforma habita-cidade, com Projetos que apontam para o manejo ecológico da paisagem

André Garcia, arquiteto formado pela Escola da Cidade, permacultor atuante na Plataforma habita-cidade, pesquisa atualmente novas possibilidades tecnológicas para a promoção da Sustentabilidade

 

* Não estão inclusos alimentação à noite e custo no balneário de Águas de Lindóia, onde a ideia é ficar na piscina depois de passear pelo parque.

]]>
/restauracao-ambiental-ecologica-da-bacia-hidrografica-do-rio-do-peixe/feed/ 0
Projeto Sítio Saíras /projeto-sitio-sairas/ /projeto-sitio-sairas/#respond Mon, 20 Aug 2018 13:41:29 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=299 Localizado no vale do Alto Ribeira, na divisa entre Juquitiba e Miracatu, o Sítio Saíras nasceu, segundo o agrônomo e fenomenólogo Manfred v. Osterroh, responsável por seu manejo, com a dupla encomenda de ser belo e produtivo. Desde dezembro de 2017, ali se estão implantando diversas atividades produtivas numa busca pelo que se decidiu chamar de uma “Estética Tropical”. Nesse sentido, já foram implantados uma horta, um horto, alguns pomares e um bananal. Caminhos foram construídos em nível ao longo do terreno, que é bastante declivoso, apontando-se para um aspecto de “terraços” com aparência pretendida de “trópico cultivado”.

O projeto “Sítio Saíras” tem como objetivo a regeneração de suas áreas até recentemente degradadas por uso descuidado, representando e divulgando alternativas econômicas para a população local, que tem se dedicado a atividades desconectadas das possibilidades e riquezas de sua região. Assim sendo, o Sítio Saíras pretende apoiar a regeneração da paisagem, das pessoas e de suas atividades produtivas, além de ser também utilizado como lugar de terapia para aqueles com traumas em função de situações de emergência e risco, associando dessa forma a regeneração da Terra e dinâmicas terapêuticas para o cuidado e desenvolvimento integral do ser humano.

 

Trabalha-se no manejo do Sítio Saíras com o que se passou a chamar de Agricultura Regenerativa Tropical, associada à ideia de um Paisagismo Regenerativo Tropical. E o que são Agricultura e Paisagismo Regenerativo Tropical? São desdobramentos da aplicação de um método fundamentado na leitura orgânica da paisagem, de suas expressões e seus processos de vida, que aponta para um modo de regenerar o Lugar com seus próprios recursos, sem importar insumos. Trata-se de método que não impõe conceitos e não parte de uma estrutura pré-concebida. Primeiro se observa, aprende-se a linguagem da paisagem, depois se desenham as intervenções.

Jornadas com duração de um dia, num misto de trabalhos práticos leves com rodas de conversa, já foram iniciadas numa parceria do Saíras com a Plataforma habita-cidade, que opera sob a Associação Escola da Cidade. Intuições de projeto têm sido desenhadas e debatidas. Implantação geral preliminar foi estabelecida para debate, tendo sempre o responsável pelo manejo, Manfred v. Osterroht, como facilitador.

Os mantenedores do sítio Saíras são Reinaldo Nascimento e Ariane Castro. O terapeuta social Reinaldo Nascimento usa a chamada “Pedagogia de Emergência” para ajudar pessoas, sobretudo crianças, em situações de risco. Já participou de ações no Nepal, com crianças vítimas de um terremoto em 2015, e no Iraque. Ariane Gianfelice de Castro, médica antroposófica com atuação junto à Associação Monte Azul, na favela de mesmo nome, e médica de família pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família, é geriatra pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), também formada em Cuidados Paliativos pelo Instituto San Camilo de Três Cantos (Madrid – Espanha), e desenvolve terapia psicossomática pela Associação Brasileira de Medicina Psicossomática. A ideia do casal é, como indicado acima, combinar regeneração da paisagem e do ser humano, empreitada em que são ajudados por Manfred v. Osterroht, agrônomo e fenomenólogo, formado pela ESALQ-USP e com especialização em Agricultura Biodinâmica na fazenda-escola Dottenfelderhoh.

A Plataforma habita-cidade organiza um grupo de projeto para apoio ao Sítio Saíras. Oficinas, encontros para reflexão e debate, desenvolvimento de projeto e acompanhamento de obras, apoio em atividades de plantio e colheita, além de ativismo quanto à proteção do Bioma da Mata Atlântica fazem parte do escopo de atividades pela Plataforma em sua parceria com o Sítio Saíras.

]]>
/projeto-sitio-sairas/feed/ 0
Final de Semana de práticas permaculturais em Jandira – horta do Núcleo Sagrado Coração /final-de-semana-de-praticas-permaculturais-em-jandira-nucleo-sagrado-coracao/ /final-de-semana-de-praticas-permaculturais-em-jandira-nucleo-sagrado-coracao/#respond Mon, 10 Apr 2017 17:03:18 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=276 Parte da primeira edição de 2017 do curso “Arquitetura na Permacultura”, PDC (Permaculture Design Course) oferecido pela Plataforma habita-cidade junto à Escola da Cidade, práticas foram realizadas pelos alunos e facilitadores durante o primeiro final de semana de Abril.

Algumas estruturas de apoio para a horta do Sagrado Coração foram finalizadas – composteira, parede para ferramentas, bason, pérgula e teto jardim. A horta está situada na faixa desocupada junto a uma linha de transmissão de cabos de alta tensão (linhão) e houve o plantio no sentido de eliminar o risco representado pela radiação dali proveniente.

Astronomia agrícola e preparados biodinâmicos foram objeto de reflexão. Houve procedimentos referentes ao preparado chifre-esterco, que foi enterrado nas proximidades do equinócio de outono e será retirado e dinamizado no equinócio de primavera.

 

]]>
/final-de-semana-de-praticas-permaculturais-em-jandira-nucleo-sagrado-coracao/feed/ 0
Publicação Jardins Filtrantes – Escola da Cidade Verde /publicacao-jardins-filtrantes-escola-da-cidade-verde/ /publicacao-jardins-filtrantes-escola-da-cidade-verde/#respond Wed, 05 Apr 2017 17:39:28 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=265 Disponibilizamos em versão digital a Publicação sobre os Jardins Filtrantes Escola da Cidade Verde, instalados com apoio do Instituto Mahle no edifício da Escola da Cidade, no centro da cidade de São Paulo.

]]>
/publicacao-jardins-filtrantes-escola-da-cidade-verde/feed/ 0
Jardins Filtrantes Escola da Cidade Verde (Projeto Fazenda Pau Brazil II) /jardins-filtrantes-escola-da-cidade-verde-projeto-fazenda-pau-brazil-ii/ /jardins-filtrantes-escola-da-cidade-verde-projeto-fazenda-pau-brazil-ii/#respond Mon, 30 Jan 2017 20:55:30 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=246 Ao longo de 2016, a partir de uma doação do Instituto Mahle, a Escola da Cidade, através da Plataforma habita-cidade, avançou com a implantação do que se decidiu chamar, por fim, de Jardins Filtrantes da Escola da Cidade Verde, inicialmente proposto com o nome Fazenda Pau Brazil II em função de uma ação pioneira na cobertura do edifício da Faculdade de Farmácia no Campus Universitário Butantã da USP.

Estudos iniciais apresentados foram revistos e o resultado dessa revisão foi ponto de partida para uma discussão referente à conversão do edifício da Escola da Cidade num organismo verde.

O sentido do movimento iniciado é o de agregar pessoas, sendo a perspectiva de um projeto coletivo uma decorrência sua. Os participantes do processo foram responsáveis por nova revisão no projeto, incluindo a discussão da pegada ecológica dos materiais.

Fig. 1 Estudos iniciais dos jardins no Pátio do térreo do edifício da Escola da Cidade

Fig. 2 Estudos iniciais para os jardins no terraço do 7o andar do edifício da Escola da Cidade

Fig. 3 Revisão do projeto dos jardins do Pátio do térreo – material utilizado para iniciar o processo de projeto coletivo

Fig. 4 Resultado de nova revisão do projeto dos jardins do Pátio do térreo

Fig. 5 Resultado de revisão do projeto para os jardins no terraço do 7o andar

]]>
/jardins-filtrantes-escola-da-cidade-verde-projeto-fazenda-pau-brazil-ii/feed/ 0
Ações em áreas periurbanas da Macrometrópole paulista – Jandira /acoes-em-areas-periurbanas-da-macrometropole-paulista-jandira/ /acoes-em-areas-periurbanas-da-macrometropole-paulista-jandira/#respond Fri, 28 Oct 2016 14:38:39 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=215 As ações aqui expostas têm como base a Permacultura, ou Cultura da Autonomia Permanente, que aponta para uma condição que recomponha a relação entre Homem e Natureza, superando a dissociação que se estabeleceu, sobretudo nos últimos séculos, com problemáticas consequências para o planeta e para o desenvolvimento humano pleno.

Habitualmente associada a ações em meios ditos rurais, a Permacultura pode e deve ser pensada como guia para a atualização das ações humanas nas condições urbanas estabelecidas, tanto em áreas consolidadas quanto, e até mesmo principalmente, em suas áreas precárias e periurbanas, periferias ou bordas físicas e econômicas.

jand

Fig. 1 – Mapa com a topografia e hidrografia da região onde está o município de Jandira

Jandira é um município da Grande São Paulo com grande índice de precariedade e cuja área urbanizada se encontra quase em sua totalidade no vale do rio São João de Barueri, para alguns apenas rio Barueri, junto ao qual se instalaram no século XX os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, hoje naquele trecho parte do sistema de trens metropolitanos. No vale em questão estão tanto Itapevi, rio acima, como a área central de Barueri, quando do rio deságua no Tietê, além de Jandira. O rio nasce no município de São Roque.

 

vista-de-jandira

Fig. 2 – Vista do vale do rio São João de Barueri a partir da Estrada Velha de Itapeti

 

Na margem direita do rio São João de Barueri, como divisor de águas com o vale do rio Cotia, parte do qual também no município de Jandira, está um conglomerado de colinas em cuja cumeada está um caminho tradicional, a estrada velha de Itapeti. Na vertente setentrional desse, por assim dizer, pequeno maciço, estão as nascentes de alguns afluentes da margem direita do rio São João de Barueri, como os ribeirões Jandira, São Mateus e do Guapé, hoje quase totalmente tamponados sob as avenidas da área urbana de Jandira. Nas suas vertentes ao sul, estão os principais cemitérios da região, vários condomínios fechados e de lá se descortina parte do vale do rio Cotia, ainda com atividades rurais.

Nesse conglomerado de colinas há vários bairros com nomes que invocam santos como São João, Santo Antônio, São Paulo, Santo Américo e também Santa Cecília, Nossa Senhora de Fátima e numa cota baixa, próximo à linha férrea, o Sagrado Coração, onde está a sede da Cáritas. Dispersas por esse pequeno maciço, nos bairros que nasceram em antigos sítios, alguns de proprietários de ascendência italiana provenientes de Osasco, estão as creches mantidas pela Cáritas com as quais se vai trabalhar.

Há atualmente hortas em quatro creches da rede mantida pela Cáritas, ainda que a intenção seja a de que todas, num futuro próximo, possuam produção própria de alimentos, num sistema agroecológico que as conectará, tendo sido identificadas vocações específicas em cada uma delas.

A creche do bairro de Analândia, onde a ocupação se intensificou com a instalação de um galpão para processar plásticos a serem reciclados, está na casa utilizada como moradia pelo Padre João Carlos, remanescente de uma das sedes dos sítios que ali ainda mantinham características rurais há aproximadamente trinta anos atrás. À antiga residência foram anexadas construções que abrigam a creche e algumas outras unidades residenciais de apoio, configurando um interessante conjunto construído que se imagina reconceituar como uma casa ecológica modelo, onde todos os resíduos serão tratados como insumos e onde não haverá forma alguma de contaminação – todos os produtos ali utilizados serão de fácil absorção e não poluentes. Técnicas e tecnologias de bioarquitetura serão ali incubadas e praticadas, servindo de exemplo a ser replicado nos seus arredores e também entorno distante já que ações e cursos de capacitação para moradores do bairro e da cidade ali serão contínuos para que haja, assim, reverberação dessa forma atualizada de se encarar a interação do Homem com seu meio.

 

20160705_171053

20160902_162014

Figs 3 e 4 – Imagens do conjunto construído e da horta junto à Casa usada como moradia pelo Padre João Carlos, “Casa do Pai” – bairro de Analândia

20160714144854275_0001

Fig. 5 – Levantamento preliminar Casa do Pai

20160714145244113_0001

Fig. 6 – Propostas para casa do Pai

20160714144813669_0001

Fig. 7 – Propostas para casa do Pai

 

No terreno da creche de Nossa Senhora de Fátima, junto à igreja de mesmo nome, num cume de colina onde há afloramentos originais de rocha, de onde se descortina vista de parte do vale do rio São João de Barueri, há árvores frutíferas como goiabeiras e bananeiras que fazem pensar na potencialização desse plantio, resultando num pomar associado a uma horta que conviva de maneira pacífica com a produção do vizinho, que conta com galinhas a serem incorporadas no raciocínio do manejo agroecológico desse interessante local, que contará com ações para construção de edificações de apoio, quando assim for necessário, sempre na perspectiva de uma bioarquitetura, ou arquitetura ecológica sustentável.

 

20160524_140109

 

Figs 8 – Imagem do conjunto junto à creche de Nossa Senhora de Fátima

20160830092648353_0001

Fig. 9 – Propostas para o Quintal Verde e de brincadeiras da creche de Nossa senhora de Fátima

 

A creche chamada do Tata Loreta terá sua horta intensificada e ampliada, uma nascente d’água ali presente será revitalizada – para tanto, ações de tratamento paisagístico que associam a criação de lugares, brinquedos, arquibancadas com a produção de alimentos serão empreendidas.

 

 

20160524_132452

Figs 10 – Imagem da creche no Tata Loreta

 

A creche da Comuna, junto ao importante conjunto de mesmo nome, construído por mutirão sob a orientação e projeto do grupo Usina de Assistência Técnica, terá ações para adequação da morfologia original para a produção agrícola, com tecnologias de bioarquitetura e infraestrutura verde. Projeto para a recuperação e ampliação através de anexo da casa existente, também reminiscência de sede de antigo sítio da região, será empreendido, assim como estrutura de sombreamento para as composteiras, brinquedos e manejo ecológico do conjunto.

Junto ao conjunto da Comuna, há uma área de proteção ambiental que será objeto de projeto de ações de manejo agroecológico. Recuperação de nascente, estabelecimento de estruturas de apoio para área de lazer, saneamento básico ecológico, além de potencializar a perspectiva de agrofloresta que ali se evidencia.

 

20160524_143510

20160524_145321

Figs 11 e 12 – Imagens da residência a ser recuperada e ampliada junto à horta (acima) e área de proteção ambiental (abaixo)

 

As ações para o manejo ecológico dessa rede de creches serão realizadas a partir de princípios preliminares de projeto, mas o design para adequações necessárias será revisto continuamente in loco em procedimento que se alinha com o que deve ser a bioaquitetura, enraizada com questões e movimentos locais.

 

20160714145021052_0001

Fig. 13 – Propostas para horta e creche da Comuna

 

]]>
/acoes-em-areas-periurbanas-da-macrometropole-paulista-jandira/feed/ 0
Ações no Núcleo Verava de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica – Ibiúna /acoes-na-escola-familia-agricola-de-ibiuna-efai/ /acoes-na-escola-familia-agricola-de-ibiuna-efai/#respond Tue, 27 Sep 2016 16:11:41 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=197 A Plataforma Habita-Cidade iniciou contatos com a Fundação Campo Cidade (FCC) de Ibiúna SP no ano de 2015. Passou a fazer parte da estrutura da Fundação como membro convidado, em função da perspectiva de parcerias e ações conjuntas. A Fundação mantém o Núcleo Verava, antes chamado Escola Familiar Agrícola de Ibiúna, referência nos anos 1990 como apoio ao núcleo de agricultores produtores de orgânicos no bairro do Verava, comunidade rural no sul do município de Ibiúna.

Ações para dinamizar a utilização da estrutura do Núcleo Verava têm sido empreendidas no âmbito da parceria acima referida da FCC com, através da Plataforma Habita-Cidade, a Escola da Cidade Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, sediada na cidade de São Paulo.

Essas ações têm como parâmetro um manejo agroecológico das terras do Núcleo Verava, com a perspectiva de instalar estruturas para experimentação continuada de produção agrícola em relação aos diferentes tipos de solos, formas de irrigação, banco de sementes etc, no intuito de capacitar e atualizar agricultores da região, que serão os professores replicadores das tecnologias ali praticadas.

A defesa básica que perpassa as ações desenvolvidas no Núcleo Verava é a da produção de Agroflorestas, sobretudo com espécies nativas, com esquema de escoamento, comercialização e sustentabilidade financeira associada a Certificação Participativa em função de ser agricultura orgânica e biodinâmica, restauradora de nossas terras tão castigadas e saneadoras de nossas águas e da saúde de todos os seres.

Fig. 1 – Retângulo mostra localização aproximada do Núcleo Verava (fragmento mapa com topografia da região – IBGE)

Fig. 2 – Estrutura existente do Núcleo Verava – vista do Pátio

Fig. 3 – Propostas para as terras do Núcleo Verava, feitas por membros da Plataforma Habita-Cidade

Figs. 4 e 5 – Proposta de Canteiros (“Lousas” da Escola) a serem montados no Pátio do Edifício do Núcleo Verava (Proposta Habita-Cidade)

Fig. 7 – Canteiros marcados no Pátio do Núcleo Verava

]]> /acoes-na-escola-familia-agricola-de-ibiuna-efai/feed/ 0 Ações recentes pela Plataforma habitacidade /acoes-recentes-pela-plataforma-habitacidade/ /acoes-recentes-pela-plataforma-habitacidade/#respond Tue, 16 Aug 2016 20:19:47 +0000 http://habitacidade.escoladacidade.org/?p=192 Os últimos meses têm sido de desenvolvimento de ações relacionadas ao curso livre oferecido pelo habita-cidade, “Arquitetura na Permacultura”.

Maiores informações, visitar o site da Escola da Cidade.

]]>
/acoes-recentes-pela-plataforma-habitacidade/feed/ 0